A Uber está próxima de concluir a aquisição do grupo alemão Delivery Hero por, aproximadamente, € 12,5 bilhões. A transação envolve o desmembramento das operações na Turquia e em algumas regiões da Europa, que serão vendidas separadamente para reduzir a sobreposição nesses mercados.

O objetivo da Uber com essa aquisição é expandir globalmente o Uber Eats, seu serviço de entrega de alimentos, e aumentar sua participação no mercado de entregas em domicílio. A operação representa um movimento estratégico para ampliar a presença da empresa em mercados internacionais e fortalecer sua competitividade diante dos concorrentes.

Em abril deste ano, a Delivery Hero já havia anunciado a entrada da Uber como acionista de longo prazo, com 19,5% de participação, reforçando a relação entre as duas companhias antes da negociação para a aquisição. Na terça-feira, 15 de julho, o grupo alemão confirmou que estava em negociações avançadas com a Uber.

O Delivery Hero atua em diversos mercados internacionais, oferecendo serviços de entrega de alimentos por meio de plataformas digitais. A venda das operações turcas e europeias faz parte da estratégia para viabilizar a aquisição pela Uber, reduzir conflitos regulatórios e diminuir as barreiras antitruste das autoridades para a expansão global do Uber Eats.

A Uber tem investido em aquisições e parcerias para ampliar seu portfólio de serviços, que inclui transporte de passageiros e entrega de alimentos. A compra da Delivery Hero poderá representar um reposicionamento estratégico, com impacto direto na dinâmica do mercado de delivery.

Escala global, riscos locais

O maior desafio da operação está na análise antitruste, especialmente na Europa. Autoridades regulatórias já demonstraram preocupação com a concentração no setor de food delivery, marcado por margens estreitas e forte dependência de poucos players.

O desmembramento das operações turcas e europeias é uma tentativa de mitigar esse risco, mas não elimina a possibilidade de exigências adicionais, como desinvestimentos em mercados estratégicos ou restrições de integração tecnológica.

Além disso, a diversidade de marcas locais da Delivery Hero, como Yemeksepeti e Foodpanda, pode ser vista como um fator de concentração que preocupa reguladores, exigindo da Uber uma narrativa convincente de que a consolidação não reduzirá a concorrência nem prejudicará restaurantes e consumidores.

Se concretizada, a aquisição reposiciona a Uber como líder global em delivery, com presença robusta em Europa, Ásia, Oriente Médio e América Latina. Isso pressiona rivais como DoorDash, que recentemente comprou a Deliveroo, e Just Eat Takeaway, que luta para manter relevância em mercados saturados.

No Brasil, o impacto seria indireto. A Prosus, acionista relevante da Delivery Hero e dona do iFood, pode rever sua estratégia diante da nova escala da Uber. Uma eventual disputa por participação de mercado poderia acelerar movimentos de consolidação também na América Latina.

O desafio da integração

Historicamente, a Uber cresceu via aquisições, como as de Postmates, Cornershop, Drizly e Careem. Mas integrar a complexa rede da Delivery Hero, com dezenas de marcas regionais e diferentes culturas corporativas, será um teste de fogo.

A promessa de sinergias tecnológicas e logísticas precisa se materializar rapidamente para justificar o alto preço pago.

O acordo ainda está em fase de negociação e poderá sofrer alterações conforme os termos forem ajustados e as aprovações regulatórias forem obtidas. A operação, caso concretizada, deverá alterar o cenário competitivo do setor, com a Uber assumindo uma posição mais robusta em mercados-chave.

Os próximos passos envolvem a finalização dos detalhes da transação, a definição do comprador das operações desmembradas e o cumprimento das exigências regulatórias para que a aquisição seja efetivada.