Menos de um mês após ser privatizada, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) tem animado o mercado financeiro, que já precifica aumento na receita, a partir do volume previsto de investimentos. Na terça-feira, 14 de julho, o Citi elevou o preço-alvo de R$ 55 para R$ 79, alta de 44%. E manteve a recomendação de compra para o papel.
A privatização foi concluída em 16 de junho, na B3, em uma venda que rendeu R$ 8,4 bilhões ao governo de Minas Gerais nas duas fases de ofertas secundárias.
A Equatorial venceu a disputa, e se tornou acionista de referência, com 30% de participação acionária. Com isso, o Estado teve sua participação reduzida de 50,03% para 5,03%. Mas segue com poder de veto.
Foi a segunda maior privatização do setor de saneamento básico, atrás apenas da venda da Companhia de Saneamento de São Paulo (Sabesp), em 2024, também vencida pela Equatorial.
Para os analistas do Citi, esta troca de comando será positiva para o plano estratégico futuro da companhia de saneamento.
“Damos as boas-vindas à Equatorial como acionista de referência da Copasa, pois acreditamos que seu sólido histórico operacional deve apoiar a execução da reestruturação da empresa, assim como a transformação que observamos na Sabesp”, diz o relatório do banco.
A mudança de avaliação está ancorada na aposta de que todos os municípios irão optar por estender seus contratos até 2073, similar ao acordo assinado com a Prefeitura de Belo Horizonte, em março deste ano. Neste caso, há previsão de repasses de até R$ 1,3 bilhão entre 2026 e 2028 para a administração municipal.
No balanço do primeiro trimestre, a companhia reportou ter 636 concessões para prestação de serviços de água e 309 concessões para o serviço de esgotamento sanitário em Minas Gerais.
“Também incorporamos o mecanismo de compartilhamento de eficiência de despesas operacionais (opex) de 25% a 90%, adicionamos novas ligações de esgoto e atualizamos nossas premissas do Acordo de Reinvestimento de Recursos (RAB) para incorporar os investimentos unitizados recentes e os aproximadamente R$ 3,1 bilhões em ativos contratuais no 1º trimestre de 2026”, afirma o Citi.
Ainda assim, o banco ainda avalia como risco, na sua tese, a possibilidade de alguns municípios optarem por não renovar seus contratos, além da instabilidade política provocada pelo aumento das tarifas de saneamento.
“Por outro lado, vemos um enorme potencial de crescimento caso a empresa consiga superar continuamente os fatores de incentivo anuais, implementar iniciativas mais agressivas de redução de custos e adotar uma política de dividendos mais agressiva”, explica o documento.
Segundo os analistas, a Copasa hoje tem espaço para distribuir 100% dos lucros sem comprometer seu balanço patrimonial. O banco ainda enxerga outras oportunidades, como a otimização da estrutura de capital e a redução dos custos de financiamento.
Na avaliação do banco, a ação da Copasa vem sendo negociada a uma taxa de retorno líquida (TIR) real implícita de 11,5%. Por volta de 12h30 de terça, 14, o papel estava sendo negociado a R$ 66,40, com alta de 0,2%.
No processo de privatização, as ações foram precificadas e vendidas a R$ 49,03 cada. Isto significa uma valorização de 35,4% no período.
Logo após a venda do controle, o BTG Pactual já enxergou o potencial de valorização da companhia. Em relatório divulgado pelo banco no fim de junho, os analistas aumentaram o preço-alvo de R$ 56,15 para R$ 81.
“Estamos ajustando o modelo e o preço-alvo da Copasa para refletir seu novo status como uma empresa privada, administrada por uma das companhias com o histórico de recuperação mais sólido do país (Equatorial)”, afirmou o banco, na ocasião.
Entre janeiro e março deste ano, a Copasa registrou receita líquida de R$ 1,9 bilhão, alta de 2,5% sobre a mesma base do ano anterior. O Ebitda alcançou R$ 787 milhões, queda de 3,2%. O balanço do segundo trimestre será divulgado no dia 14 de agosto.
No acumulado de 2026, as ações CSMG3 registram alta de 52% na B3. Em 12 meses, a valorização é de 150%. A Copasa tem valor de mercado de R$ 25,3 bilhões.