Com receitas em alta, novas fontes de monetização e clubes tratados como ativos escassos, investidores institucionais têm ampliado sua presença no esporte mais popular do mundo. Na temporada 2025/26, mais de 36% dos clubes das cinco principais ligas europeias já tinham algum vínculo com o mercado de capitais, segundo estimativa da PitchBook citada em relatório do UBS.

Nas últimas décadas, as compras de controle de clubes menores (ou altamente endividados) para turnaround se tornaram um padrão dessa indústria. O Paris FC, adquirido pelo bilionário da LVMH, e Birmingham City FC, comprado pela Knighthead Capital, são exemplos.

No Brasil, casos semelhantes ocorreram com as reestruturações do Botafogo e Cruzeiro, após serem comprados pela 777 e pelo ex-jogador Ronaldo, respectivamente.

O UBS, no entanto, pontua que a participação de grandes investidores no futebol tem se diversificado e ido muito além da compra de controle.

“Cada vez mais, o capital vem sendo alocado por meio de uma variedade de estruturas - incluindo participações minoritárias, financiamentos estruturados e operações híbridas”, afirma o UBS. “Transações recentes evidenciam essa crescente variedade.”

Entre essas alternativas, as participações minoritárias têm ganhado espaço entre clubes de elite que buscam levantar capital sem abrir mão do controle.

O relatório cita como exemplo o investimento do fundo do Catar Arctos Partners no Paris Saint-Germain, em 2023, e da Juventus, que, no ano passado, recebeu um aporte da Tether, empresa por trás da stablecoin USDT, por uma fatia do clube.

Os aportes não são mero apoio ao esporte. Segundo relatório do UBS, com base na Deloitte Football Money League, os 20 clubes de maior receita do mundo alcançaram € 12,4 bilhões na temporada 2024/25, alta de 11% em relação ao ano anterior. Na média, a receita desses clubes saiu de € 417 milhões em 2018 para € 620 milhões em 2025, puxada principalmente pelas linhas comerciais e de transmissão.

Com mais dinheiro circulando, o financiamento com dívida garantida é outra estrutura que vem ganhando força no futebol.

O modelo, aponta o UBS, foi utilizado por grandes clubes europeus, como Barcelona, Atalanta e Olympique de Lyon, que captaram recursos de investidores como Ares, Carlyle e Apollo.

Formatos semelhantes também vêm sendo utilizados com maior frequência no futebol brasileiro. Por aqui, o São Paulo Futebol Clube tem adotado uma estratégia semelhante por meio de um FIDC estruturado com a Galápagos.

Constituído em outubro de 2024 e com cerca de R$ 200 milhões de patrimônio líquido, o fundo tem como objetivo aplicar recursos em direitos creditórios e ativos financeiros ligados ao São Paulo. Com esse veículo, por exemplo, o clube consegue antecipar valores pagos em prestações, como anúncios de publicidade ou direitos de transmissão.

Segundo o UBS, outra vertente que tem aproximado o mercado financeiro do futebol — e também já experimentada no Brasil — é a de compartilhamento de receita.

O exemplo citado pelo banco é a parceria entre a gestora americana Sixth Street e o Real Madrid para a reforma do estádio Santiago Bernabéu em troca de participação nas receitas de eventos não ligados ao futebol.

O acordo que serviu para abrir os olhos do mercado mundial para o modelo de negócio foi fechado em 2022. Mais de dez anos antes, em 2010, uma parceria entre WTorre e o Palmeiras culminou com a reforma do antigo estádio do clube, o Palestra Itália.

Embora um dos pioneiros nesse formato, o acordo entre Palmeiras e WTorre foi marcado por anos de disputas sobre repasses e uso da arena, que só foram encerradas em 2024 com um acordo financeiro de R$ 117,1 milhões.

Ainda assim, a reforma consolidou o estádio como uma das arenas mais relevantes do país, com receitas muito além do futebol.