Depois de encerrar 2025 com prejuízo operacional e geração negativa de caixa, a Stellantis voltou à rentabilidade e ao crescimento no primeiro trimestre de 2026. Agora, a dona de marcas como Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën tenta transformar essa recuperação em uma trajetória sustentável.

Em entrevista ao Call de Negócios, programa do NeoFeed exibido no CNN Money, Antonio Filosa, CEO global da Stellantis, afirmou que a companhia pretende aumentar em 10% o volume vendido na América do Sul até 2030, mantendo a liderança no Brasil e na Argentina e avançando em mercados como Chile, Peru, Equador e Colômbia.

“Queremos crescer 10% em volumes. Queremos manter a liderança que temos no continente através do que já temos e das novas parcerias”, afirmou Filosa (o programa começa em 8:50). No Chile, por exemplo, a participação da companhia está em torno de 11%, aproximadamente um terço do registrado no Brasil e na Argentina.

A companhia tem um plano de R$ 32 bilhões em investimentos previstos para a América do Sul, sendo R$ 30 bilhões destinados ao Brasil. Os recursos serão aplicados principalmente em produtos, tecnologias, desenvolvimento de fornecedores, concessionárias e parcerias.

Em Betim, Minas Gerais, a adoção do terceiro turno permitirá que a fábrica se aproxime da capacidade máxima de 600 mil veículos por ano. Segundo Filosa, a unidade poderá colocar no mercado mais de 100 mil carros adicionais, tanto para o Brasil quanto para outros países.

O plano de desenvolvimento local ainda prevê a produção de veículos de parceiras chinesas, como a Leapmotor, na fábrica de Pernambuco.

“Não queremos trabalhar numa estratégia de importação. Nós queremos produzir aqui, desenvolver fornecedores locais para conversar com o cliente todo dia, oferecer o que ele exatamente quer”, disse.

Embora reconheça que algumas medidas previstas no plano estratégico já começaram a aparecer nos resultados, com melhora de até 37% na geração de caixa no primeiro trimestre, Filosa admite que há um longo trabalho pela frente.

“O caminho vai ser ainda longo, vai ter alguns quebra-molas no caminho, mas vai sair”, afirmou.