Desde 2024, quando entregou seu primeiro lucro anual, o C6 Bank vem reportando seus balanços com a última linha tingida de azul. E, no primeiro semestre de 2026, além de manter essa toada, o banco digital registrou a sua melhor marca para o período.
Nesse intervalo, o lucro líquido de R$ 1,25 bilhão representou um crescimento anual de 20%. A receita líquida também alcançou o seu maior patamar histórico em seis meses, com um salto de 48%, para R$ 6,26 bilhões.
O retorno sobre o patrimônio anualizado (ROAE) foi de 38% e o índice de eficiência ficou em 42%, uma melhora anual de 4 pontos percentuais. Já a captação total avançou 34%, para R$ 125,6 bilhões e o total de ativos chegou a R$ 171 bilhões. O banco fechou o período com mais de 42 milhões de clientes.
“Tivemos crescimento em todas as nossas linhas, sem exceção”, diz Marcelo Kalim, cofundador e CEO do C6 Bank, em entrevista ao NeoFeed. “Foi um semestre bom, mas teria sido bem melhor se a economia tivesse ajudado.”
Esse contexto se reflete, principalmente, na carteira de crédito expandida, que fechou o semestre em R$ 99,8 bilhões, um crescimento em base anual de 38%. No detalhe, o crédito consignado público e privado respondeu por 45% dessa composição.
O financiamento de veículos, por sua vez, teve uma fatia de 30%, enquanto 13% vieram de empréstimos para pessoa física. Completando essa carteira, o crédito para pessoa jurídica e o home equity ficaram com os patamares de 11% e 1%, respectivamente.
No período, a inadimplência acima de 90 dias foi de 3,6%, contra 3,2%, um ano antes. O C6 ressaltou que, excluindo o impacto da Resolução 4.966 do Conselho Monetário Nacional (CMN), que alterou os prazos para reconhecimento de juros em atraso e baixa de ativos vencidos, o índice seria de 2,6%.
O banco reportou, porém, um avanço substancial na linha de despesas com provisões para devedores duvidosos (PDD), de R$ 996 milhões para R$ 2,4 bilhões, o que foi atribuído, principalmente, ao crescimento das operações no consignado privado, que exigem maior provisionamento.
“Mas aqui, a economia também não ajudou”, diz Kalim. “Tivemos um pouco mais de PDD do que imaginávamos. As pessoas físicas estão com um comprometimento de renda no seu mais alto patamar histórico e as empresas também estão tendo mais dificuldade com essa taxa de juros.”
Ele ressalta que, em empresas, o banco tem pouca exposição a setores como o agronegócio e o varejo, que figuram entre os mais afetados por esse cenário macro. E que, em todas as linhas, o banco segue priorizando os empréstimos colateralizados, que representaram 82% da carteira no semestre.
O CEO também observa que, curiosamente, o C6 Bank tem visto uma pequena melhora nos níveis de inadimplência nos últimos 60 e 90 dias, com números ainda acima de 2025, mas melhores do que os patamares do primeiro semestre desse ano.
“O grande desafio, de fato, será o primeiro semestre de 2027. E é difícil apertar muito mais do que já estamos apertando no crédito, mas estamos preparados”, afirma. “Acho que vamos sofrer um pouco, como sofremos nesse primeiro semestre, mas com números bons.”
Apesar da perspectiva da manutenção do cenário macroeconômico mais restrito, Kalim observa que o C6 Bank planeja expandir a operação em novas áreas. E que no segmento de pessoa jurídica, o banco já definiu a entrada em benefícios como um dos próximos passos dessa estratégia.
“O segmento de benefícios é bastante complementar ao que já ofertamos para pequenas e médias empresas”, explica. “Vamos entrar com esse produto totalmente integrado ao nosso app e ao nosso cartão ainda nesse semestre.”