A uma semana de deixar o comando do estado, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), tem trabalhado para conquistar a confiança da Faria Lima, no discurso econômico, com o principal objetivo de se viabilizar como o nome do partido à presidência da República.

Caiado renuncia em 31 de março, após sete anos e três meses de mandato. Ele disputa internamente a indicação com os também governadores Ratinho Júnior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul). A decisão, que caberá ao presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, será anunciada no fim de março.

Neste sentido, ele tem criticado duramente o impacto do custo-Brasil para as empresas e a ausência de uma política adequada, por parte do governo federal, que garanta o crescimento das companhias no País.

Em entrevista exclusiva ao NeoFeed logo após a inauguração do parque solar Barro Alto, da Newave Energia (joint-venture entre Newave Capital e Gerdau), Caiado afirmou que a burocracia e as travas ambientais geram uma carga de 23% ao empresariado brasileiro.

“São grandes dificultadores para a sobrevivência das empresas. Isso sem falar na corrupção, na propina. E eu não vou nem embutir aí a questão dos juros, que é outro problema.”

Segundo ele, a aprovação da lei de liberdade econômica no estado, em 2024, garantiu agilidade na abertura de empresas para quase mil atividades classificadas de baixo risco em Goiás.

“Não vai ser a trava do meio ambiente ou de qualquer outra burocracia que vai impedir as empresas de avançar em Goiás”, afirma o governador. Na prática, o que ele quer dizer é que acabou com o “custo-Goiás” para os empresários.

Na linha de mostrar contrapontos às ações do governo Lula, Caiado assinou, na quarta-feira, 18 de março, em São Paulo, um memorando de entendimento com o governo dos Estados Unidos para cooperação em minerais críticos e terras raras.

“A intenção é transformarmos estes minerais, que vão em forma bruta para o exterior, principalmente para a China, para poder avançar no processo de separação destes minerais críticos. O objetivo é não ser apenas fornecedor de matéria-prima.”

Neste sentido, ele critica a gestão federal pela falta de uma política nacional clara de exploração dos minerais críticos no país. “O governo federal nunca voltou os olhos para a mineração. Se eu estivesse na presidência, já teria priorizado este assunto.”

Desde 2024, a mineradora Serra Verde realiza a exploração de terras raras em Minaçu, cidade que fica a cerca de 500 quilômetros de Goiânia. É a única produtora de minerais críticos em terras raras fora da Ásia.

O projeto contou com aporte de US$ 565 milhões, vindo de financiamento por parte da Corporação Financeira dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (DFC). O recurso garante o direito ao governo americano de adquirir uma participação minoritária na Serra Verde.

Outro projeto em andamento em Goiás fica na cidade de Nova Roma. A multinacional Aclara Resources, com sede no Canadá, tem um plano de investimento de R$ 2,8 bilhões na exploração de argila iônica. Hoje, ele está na fase de testes.

A argila iônica é usada na fabricação de ímãs de alta potência para carros elétricos, turbinas eólicas, eletrônicos e outros motores. Os minerais explorados em Minaçu também atendem a indústria de defesa, aeroespacial e de transição energética.

Segundo o Ministério de Minas e Energia, o Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, com 22 milhões de toneladas. A China lidera, com 44 milhões de toneladas.

Caiado também falou sobre a gestão no Ministério da Fazenda de Fernando Haddad, que deixou o governo na última quinta-feira, 19 de março, para se candidatar ao governo de São Paulo.

Segundo o governador, a passagem de Haddad pela pasta econômica foi marcada pelo aumento da dívida e pela falta de controle fiscal. Ele classifica o agora ex-ministro como “perdulário” e “incompetente”.

“O arcabouço fiscal foi um colapso completo. Haddad simplesmente aumentou a dívida pública do país sobre o PIB. Sem crise alguma, o Brasil passou de 72% para quase 80%. Endividou o país em mais de R$ 1 trilhão. É um homem que mostrou que, na verdade, foi um protegido político, e não um ministro da Fazenda”, afirma.

Acompanhe, a seguir, os principais trechos da entrevista de Caiado ao NeoFeed:

O senhor tem falado que o custo-Brasil gera um impacto de 23% aos empresários, principalmente com burocracia. Qual o caminho para mudar este cenário?
Esse trabalho não é meu. Ele foi um trabalho iniciado há muitos anos pelo Jorge Gerdau [acionista controlador da Gerdau], que vem demonstrando o quanto a burocracia e a quantidade de entraves que são criados afetam o empresariado brasileiro. São grandes dificultadores para a sobrevivência das empresas. Isso sem falar na corrupção, na propina. E eu não vou nem embutir aí a questão dos juros, que é outro problema. Mas aqui em Goiás é diferente.

De que forma o estado de Goiás garante um ambiente melhor para as empresas?
Pela lei de liberdade econômica, que assinei em 2024 [que estabelece que 962 atividades classificadas como de baixo risco estão dispensadas de atos públicos para o início de suas operações], nós temos um dos maiores números de CNAEs (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) no Brasil, aprovando de forma rápida a instalação das empresas. Não vai ser a trava do meio ambiente ou de qualquer outra burocracia que vai impedir as empresas de avançar em Goiás.

O senhor assinou recentemente um memorando, com o governo dos EUA, para estudos sobre minerais críticos do estado. Qual é o plano a partir da assinatura?
A intenção é transformarmos estes minerais, que vão em forma bruta para o exterior, principalmente para a China, para poder avançar no processo de separação destes minerais críticos. O objetivo é não ser apenas fornecedor de matéria-prima. Sou o primeiro governador da história de Goiás a assinar um memorando com o governo americano. A gente precisa fazer o que, no Brasil, está parado.

O que mais inclui o protocolo de intenções?
Essa assinatura vai dar a nós uma parceria em investimento na pesquisa e em poder fazer também uma verdadeira radiografia do subsolo brasileiro. Vamos fazer o mapeamento mineral do estado de Goiás. O estado hoje tem nióbio, terras raras pesadas, cobre, níquel, cassiterita. Um solo muito rico. E vamos aproveitar isso.

Qual tem sido a atuação do governo estadual para a exploração de terras raras no estado?
Eu autorizei, no primeiro ano de meu governo [a licença ambiental foi emitida em 2019], a exploração de terras raras pesadas no município de Minaçu [operada pela mineradora Serra Verde desde 2024]. E agora também autorizamos no município de Nova Roma. Somos o único estado no mundo ocidental que produz terras raras pesadas.

Falta, na sua opinião, um plano nacional para discutir este assunto?
O governo federal nunca voltou os olhos para mineração. Eu ainda sou governador. Se eu estivesse na presidência, já teria priorizado este assunto. Eles não têm muita noção. Os ministérios não estão nem um pouco preocupados com isso.

Qual sua avaliação da gestão de Fernando Haddad no Ministério da Fazenda?
O arcabouço fiscal foi um colapso completo. Ele não conseguiu nada. Haddad simplesmente aumentou a dívida pública sobre o PIB. Sem crise alguma, o Brasil passou de 72% para quase 80% [78,7%, em janeiro de 2026]. Endividou o país em mais de R$ 1 trilhão. É um homem que mostrou que, na verdade, foi um protegido político, e não um ministro da Fazenda. Lula sempre gostou dele e Haddad o visitava na cadeia. Esse é o fato que o levou ao ministério. Mas ele não tem competência para o cargo.

Ainda assim, o senhor entende que houve alguma política pública que tenha se destacado?
Não. Ele não fez nenhuma política que tenha feito com o que o Brasil fosse reconhecido por isso. No campo fiscal, não fez absolutamente nada. Perdulário, muito gastador e com políticas populistas. A política fiscal foi um desastre. Haddad fez com que o Brasil passasse a pagar a segunda maior taxa de juros do mundo. Esta que foi a política que ele adotou. Mas é a política do PT. Espero que o Brasil não cometa outra vez este erro.