Menos de três meses após a decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master, o Banco Central (BC) determinou, na manhã de quinta-feira, 15 de janeiro, a liquidação da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores, nova denominação da Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários.

A companhia, que pertencia a João Carlos Mansur e que foi alvo da Operação Carbono Oculto, a investigação que apura supostos esquemas de lavagem de dinheiro, ligação com o setor de combustíveis, mercado financeiro e envolvimento com o crime organizado.

“A decretação da liquidação extrajudicial foi motivada por graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional”, diz o comunicado do BC.

A decisão também decreta a indisponibilidade de bens dos atuais controladores e dos ex-administradores da instituição financeira.

A ação assinada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, ocorre um dia após a segunda fase da Operação Compliance Zero, que resultou em mandados de busca e apreensão contra Mansur.

Também no âmbito da investigação, os agentes da Polícia Federal detiveram o empresário Fabiano Zettel, considerado braço direito de Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Em dezembro, o Banco Central detalhou, em relatório enviado ao Tribunal de Contas da União (TCU), o envolvimento de fundos da Reag Trust em boa parte das fraudes associadas ao Banco Master, ocorridas entre julho de 2023 e julho de 2024.

Em comunicado enviado ao mercado em setembro, após o início da operação da Polícia Federal, a Reag informou que o fundo Hans 95 chegou a negociar certificados de depósito bancário (CDBs) com o Master.

Ranking de Gestão da Associação Brasileira das Entidades do Mercado Financeiro e de Capitais (Anbima), de novembro de 2025, mostra que a ex-Reag Trust tinha R$ 352,9 bilhões sob sua administração.

A determinação do Banco Central não envolve a Arandu Investimentos, empresa criada a partir da aquisição de uma das gestoras do então grupo Reag por seus próprios executivos.