Única concessão privada de uma autoridade portuária por enquanto no país, a VPorts, empresa que opera três portos no Espírito Santo, vai investir até 2027 mais de R$ 500 milhões para ampliar em 80% sua capacidade de movimentar cargas num intervalo de cinco anos.

Tradicionalmente os portos brasileiros têm gestão pública, por meio das chamadas companhias Docas, mas o caso capixaba foge à essa regra. Com três anos de concessão, a operadora privada administra três portos no Espírito Santos: Vitória, Vila Velha e Barra do Riacho (em Aracruz). Nesse período, já investiu R$ 1,5 bilhão no aumento e modernização da infraestrutura de suas três operações.

E, somente neste ano, prevê a entrega, ainda no primeiro semestre de 2026, de um modal ferroviário integrado ao Porto de Vitória que deve dar mais eficiência e ganhos de produtividade aos três portos geridos pela empresa.

Com investimentos já contratados de R$ 114 milhões, um trecho interno do porto de Vitória vai se conectar com a ferrovia Estrada de Ferro Vitória a Minas, que por sua vez tem uma ligação com a Centroatlântica (VLI). Por esse corredor logístico serão escoados grãos, como soja e milho, e também fertilizantes e ferro-gusa.

Para isso foi firmado um contrato de 17 anos com a empresa Multifit para a construção de uma estrutura ferroviária para descarregamento de ferro-gusa em parceria com a VLI, que fará a operação da carga.

“Com essa integração entre o porto e a operação ferroviária, vamos reduzir custo logístico e isso nos conecta economicamente com o Centro-Oeste", diz Gustavo Serrão, presidente da Vports, ao NeoFeed. “Estamos oferecendo como opção logística para o desenvolvimento do país”.

As ampliações e melhorias da estrutura de atendimento do porto fazem parte do receituário da Vports, que ainda espera inaugurar até junho uma área para recepção de contêineres, cujas obras de reforma estão sendo finalizadas. A área está sendo aumentada em 70%, com investimentos de R$ 35 milhões.

Serrão ainda conta que também está prevista, só que para 2027, um aumento da capacidade para estocagem de graneis líquidos nas imediações do porto de Vila Velha (ES), orçado em R$ 400 milhões. As obras já começaram neste ano.

Por fim, a empresa ainda aguarda sair uma licença ambiental do órgão estadual do Espírito Santo para implantar um projeto “greenfield” no terminal de Barra do riacho, para granel sólido, líquido, combustíveis e gás.

“Estamos ampliando procedimentos e a gente tem intenção de começar esse investimento em "green field" ainda em meados deste ano para começar a operação comercial ano que vem, mas para isso ainda dependo do licenciamento”, explica o executivo.

Já em 2025, a empresa também ampliou sua capacidade para receber navios mais pesados,  com até 83 mil toneladas - antes o porto comportava apenas embarcações de até 70 mil toneladas.

Modelo inédito 

A Vports é fruto da privatização da Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa), que foi adquirida em 2002 pelo Fundo de Investimentos em Participações Shelf 119, gerido pela Quadra Capital.

O modelo foi lançado pelo extinto Ministério da Infraestrutura, pelo ministro Marcelo Sampaio, mas começou a ser gestado ainda na gestão de Tarcísio de Freitas (hoje governador de São Paulo). O ativo é da União, mas o operador 100% privado poderá explorar a concessão por 35 anos.

“Desde nosso ano 1, a gente vem plantando e colhendo. Entendo que o modelo hoje é consolidado e a empresa já se provou sustentável. Com todo esse aprendizado, fizemos um planejamento para aumentar produtividade e a companhia está saudável financeiramente”, acrescenta Serrão.

A Vports, no entanto, é fiscalizada pela Antaq e precisa cumprir com um calendário previsto para investimentos.

Resultados até agora 

De acordo com os números mais atualizados pela empresa, o volume de carga movimentado nos portos de Vitória e Vila Velha em janeiro deste ano registrou um aumento de 15% em relação ao mesmo mês de 2025, alcançando a marca de 700 mil toneladas.

Os destaques foram para as importações e a movimentação de granéis sólidos no geral (fertilizantes, ferro gusa, máquinas e equipamentos), que totalizou 352 mil toneladas no primeiro mês do ano, uma elevação de 28% em comparação ao ano anterior.

“Além de nos adaptarmos às necessidades de mercado, 2025 foi um ano de firmar parcerias de longo prazo que vão viabilizar a nossa multimodalidade, com o início da operação ferroviária em 2026”, destaca Serrão.

No ano passado, os três portos capixabas administrados pela Vports movimentaram 7,9 milhões de toneladas, com destaque para as importações, que bateram um novo recorde do porto, alcançando 5,3 milhões de toneladas, uma alta de 9% frente a 2024.

As cargas mais movimentadas foram os granéis sólidos, que atingiram 3 milhões de toneladas, correspondendo a 38% de tudo que o porto movimenta. Esse desempenho foi puxado pelos produtos importados, como carvão e hulha, que teve aumento de 90% no volume movimentado ante o ano anterior; coque de petróleo (alta de 55%); e fertilizantes (aumento de 8%).

Outra carga que vem superando as expectativas no complexo de portos do espírito Santo são os automóveis. No ano passado, a VPorts registrou um volume recorde de 49,6 mil carros entrando por Vitória, numa parceria com a Comexport.