O setor imobiliário brasileiro oferece boas oportunidades para quem investe em ações, mesmo em um ambiente de juros ainda elevados. Essa é a avaliação de Tiago Reis, fundador da Suno. Em entrevista ao Janela de Mercado, programa do NeoFeed que dá voz aos principais analistas e gestores de renda variável, ele diz que o mercado costuma generalizar riscos, sem considerar particularidades de cada empresa.

As incorporadoras voltadas ao programa Minha Casa, Minha Vida, por exemplo, segundo ele, atravessam um momento especialmente positivo, com crescimento consistente e bom giro de caixa. Já as empresas focadas em imóveis de média e alta renda enfrentam um cenário mais desafiador, afetadas pelo custo do crédito, que desacelera as vendas. Ainda assim, Reis ressalta que não há um quadro de crise, sobretudo em mercados como São Paulo, onde a demanda permanece sólida.

O segmento de shoppings, por sua vez, aparece como um dos mais resilientes dentro do setor imobiliário na Bolsa. Após o impacto da pandemia, o consumo voltou com força, desmontando a tese de que o avanço do e-commerce esvaziaria esses ativos. “Várias dessas ações negociam próximas de suas máximas históricas”, afirma Reis, observando que o resultado reflete desempenho operacional robusto e ativos bem localizados.

Na comparação com os fundos imobiliários, o fundador da Suno argumenta que as ações oferecem uma exposição mais direta ao crescimento do setor. Enquanto os FIIs tendem a concentrar ativos maduros e atrair investidores focados em renda mensal, as empresas listadas acabam liderando o desenvolvimento imobiliário e capturam melhor os ciclos de expansão.

Para o investidor disposto a lidar com volatilidade em troca de potencial de valorização, as ações do setor imobiliário seguem, segundo Reis, como o caminho mais interessante. Confira, no vídeo, três ações indicadas por ele para ter na carteira este ano.