Dona de montadoras como Fiat, Jeep, Peugeot, Citroën, Chrysler, Alfa Romeo, Dodge e Maserati, a Stellantis estabeleceu uma marca nada favorável ao reportar seus números consolidados do ano de 2025 nesta quinta-feira, 26 de fevereiro.

O grupo apurou um prejuízo líquido de € 22,3 bilhões no período, revertendo um lucro de € 5,5 bilhões registrado em 2024. Essa é a primeira vez que a companhia fecha um ano no vermelho desde que foi criada em 2019, a partir da fusão entre a Fiat Chrysler e o grupo francês PSA.

A Stellantis ressaltou que a perda veio na trilha de uma baixa contábil de € 25,4 bilhões, relacionada a uma profunda revisão da companhia em sua estratégia de investimentos para o segmento de carros elétricos.

“Os nossos resultados para o ano fiscal de 2025 refletem o custo de termos superestimado o ritmo da transição energética e a necessidade de reestruturar o nosso negócio”, afirmou Antonio Filosa, CEO da Stellantis, em comunicado sobre o balanço.

“Em 2026, nosso foco será continuar a sanar as lacunas de execução do passado, impulsionando ainda mais nosso retorno ao crescimento rentável”, acrescentou o executivo, que substituiu o antigo CEO Carlos Tavares, em julho do ano passado.

A decisão de recalibrar a aposta em veículos elétricos e, por consequência, essa baixa contábil bilionária, havia sido anunciada no início deste mês. E foi embalada por um discurso de centrar na liberdade de escolha dos clientes, seja por veículos elétricos, híbridos ou tradicionais.

Esse percurso já havia sido feito por outras montadoras. Em janeiro, por exemplo, a General Motors anunciou um impacto de US$ 6 bilhões em baixas contábeis relacionadas à categoria. Assim como a Ford, que, em dezembro de 2025, estimou uma perda de US$ 19,5 bilhões com o segmento.

No caso da Stellantis, o anúncio dessa correção de rumo naquela oportunidade foi acompanhado de outras medidas, como a decisão de não pagar dividendos em 2026 – mantida hoje -, o cancelamento de modelos e projetos, como a RAM 1500 EV e o Jeep Wrangler 4x3, e uma reorganização dos processos globais de fabricação.

Ao mesmo tempo, o grupo anunciou um investimento de US$ 13 bilhões para a sua operação nos Estados Unidos – o maior já destinado pela empresa a esse mercado, com a ambição de turbinar seu crescimento no país.

No balanço de hoje, entre outros pontos, a Stellantis destacou justamente a ampliação do seu portfólio mais tradicional em mercados como a América do Norte, com um retorno aos segmentos de SUVs de médio porte.

Segundo a empresa, a região apresentou a contribuição mais expressiva dos resultados no segundo semestre de 2025, já sob a gestão de Filosa, com um crescimento de 39% em entregas, para 231 mil unidades.

Em outros números do balanço, a receita líquida do grupo foi de € 153,5 bilhões, uma queda anual de 2%. A empresa citou os fortes impactos do câmbio e da redução dos preços no primeiro semestre de 2025, mas observou que eles foram parcialmente compensados por maior volume e mix de produtos.

No período, a Stellantis reportou um prejuízo operacional ajustado de € 842 milhões, contra um lucro operacional ajustado de € 8,6 bilhões registrado no mesmo intervalo, um ano antes. Já o fluxo de caixa das atividades operacionais ficou negativo em € 4,6 bilhões.

A empresa reiterou suas projeções para 2026, entre elas, a meta de crescer um dígito médio em receita. Mas, em paralelo, ampliou a previsão de impactos negativos da guerra comercial imposta por Donald Trump, de € 1,2 bilhão, em 2025, para € 1,6 bilhão nesse ano.

Com listagem principal na bolsa de valores de Milão, as ações da Stellantis registravam ligeira alta de 0,18% no pre-market nessa quinta-feira. Ontem, os papéis fecharam com queda de 0,77%, dando ao grupo um valor de mercado de € 22,2 bilhões.