A Vale encerrou o quarto trimestre de 2025 com um prejuízo de US$ 3,8 bilhões, ampliando a perda registrada em igual período, um ano antes, de US$ 694 milhões. No ano, o lucro líquido recuou 62%, para US$ 2,3 bilhões.
No balanço, a Vale atribuiu esses números a três fatores. O primeiro deles, um aumento de US$ 449 milhões nas provisões relacionadas a atualizações na ação contra a Samarco no Reino Unido.
O segundo componente foi uma baixa contábil de US$ 3,5 bilhões nos ativos de níquel da Vale Base Metals no Canadá, em função da revisão para baixo das premissas de preço de longo prazo da commodity com base em estimativas de mercado.
A Vale ressaltou ainda uma redução de US$ 2,8 bilhões decorrente da baixa de imposto diferido de subsidiárias. E que, excluindo todos esses efeitos, teria registrado um lucro líquido proforma de US$ 1,5 bilhão entre outubro e dezembro, e de US$ 7,7 bilhões no ano.
As ações da companhia abriram o pregão na B3 com queda de mais de 2% nesta sexta-feira, 13 de fevereiro. E recuavam 2,16% por volta das 14h40. Entretanto, para Marcelo Bacci, CFO da Vale, esse desempenho não está relacionado a esses e outros números do balanço.
“Estamos no mercado de commodities, onde existe uma correlação muito grande entre o preço da ação e o preço do produto”, afirmou Bacci, em conversa com jornalistas no início da tarde de hoje. “E, hoje, o minério de ferro está caindo, na faixa de US$ 99. Então, é preciso colocar isso em perspectiva.”
O executivo prosseguiu: “É importante olhar um período mais longo, como os últimos 12 meses, o nível de recuperação que o preço da nossa ação teve. E que é o espelho da visão mais favorável do mercado e também do que temos feito do ponto de vista operacional”, disse.
As ações da Vale registram uma valorização de mais de 59% nos últimos 12 meses, dando à mineradora um valor de mercado de R$ 372,6 bilhões.
No capítulo mais recente por trás dessa trajetória, a Vale voltou a reportar bons números do ponto de vista operacional, reforçando a equação de aumento do volume de produção e dos preços realizados com a redução dos custos.
Na produção, por exemplo, o minério de ferro chegou a um volume de 336 milhões de toneladas no ano, um crescimento de 2,6%. Já no cobre e no níquel, os saltos nessa linha foram de 9,8% e 10,8%, respectivamente.
“Conseguimos cumprir todos os guidances que demos para o mercado em relação à produção e custos”, afirmou Bacci. “E trouxemos redução de custos em todos os segmentos.”
Nessa trilha, a Vale reportou um Ebitda ajustado de US$ 4,5 bilhões no quarto trimestre, alta de 21% sobre igual período, um ano antes, e acima das projeções do consenso. No ano, o indicador cresceu 4%, para US$ 15,4 bilhões.
O fluxo de caixa livre recorrente, por sua vez, avançou 107% entre outubro e dezembro, para US$ 1,6 bilhão, e 26%, em 2025, para US$ 4,7 bilhões. Enquanto a dívida líquida expandida de US$ 15,5 bilhões representou uma redução de 5% sobre 2024 e de 6% em relação ao terceiro trimestre do ano passado.
“Nós evoluímos em todas as nossas frentes e cumprimos tudo o que prometemos”, observou o CFO. “E estamos começando 2026 em um momento muito favorável para a companhia”
Resultados sólidos e sprint
Em relatório, o BTG Pactual ressaltou que a expectativa sobre o balanço era bastante alta e que a Vale entregou o resultado que todos estavam esperando, com um conjunto sólido de indicadores, entre eles, o Ebitda, a geração de fluxo de caixa livre e a redução de seu endividamento.
Sobre a baixa contábil nos ativos de níquel no Canadá, o banco observou que o movimento não surpreendeu, dado que a commodity já vinha há tantos anos em baixa, com o mercado precificando muito pouco o seu valor. E acrescentou:
“A Vale continua apresentando resultados, trimestre após trimestre, e recuperando a confiança dos investidores, o que, combinado com a entrada de capital estrangeiro no Ibovespa e a alta dos metais, impulsionou seu ‘sprint’ de aproximadamente 60% nos últimos seis meses”, escreveu o BTG.
A XP, por sua vez, destacou que os resultados reforçam um “sólido momento operacional” da Vale, especialmente em sua divisão de metais básicos, onde a empresa apresentou resultados melhores tanto em cobre quanto em níquel, além de cumprir sua projeção de custos de minério de ferro.
“Dito isso, embora a avaliação aponte para uma assimetria de capital negativa em relação às commodities, vemos o momento se mantendo sustentado por fluxos contínuos de capital estrangeiro, avaliação relativa atrativa em comparação com os pares e expectativas de resultados sólidos no futuro”, observou a XP, com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 71 para o papel.