A Oncoclínicas informou na manhã de segunda-feira, 13 de abril, que entrará com um pedido de tutela cautelar na Justiça de São Paulo para suspender cláusulas de vencimento antecipado de suas dívidas e a exigibilidade de obrigações financeiras.
A medida ocorre em meio à deterioração de sua estrutura de capital e às dificuldades para avançar na negociação com credores e é considerada um passo anterior a um eventual pedido de recuperação judicial. De acordo com a companhia, a tutela cautelar tem como objetivo permitir a condução da negociação com credores, sem interrupção das atividades.
Na semana passada, a companhia quebrou um dos covenants de sua dívida, ao reportar uma relação dívida líquida sobre Ebitda de 4,3 vezes, no balanço anual de 2025 — acima do limite de 3,5 vezes previsto nos contratos. No ano anterior, essa relação foi de 2,6 vezes.
Já prevendo o risco de estouro do índice de alavancagem, a companhia vinha tentando negociar com credores a obtenção de um waiver para o descumprimento dos covenants. Mas a companhia não conseguiu obter quórum suficiente em assembleia de debenturistas convocada para a véspera da divulgação do balanço.
Em call com investidores, o CEO da companhia, Carlos Gil, afirmou que a companhia conseguiu avançar nas negociações com grandes credores, mas que a pulverização de alguns Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e debêntures vinha dificultando a obtenção do waiver, pela dificuldade de mobilizar pessoas físicas detentoras do crédito.
Segundo o CEO, ao menos até sexta, 10 de abril, a companhia não havia recebido nenhuma declaração de vencimento antecipado.
A tentativa de buscar um waiver junto a credores vem sendo conduzida há pelo menos dois meses pela companhia. Mas a mobilização dessa base pulverizada já vinha sendo uma dificuldade, admitida pela então CFO, Camille Faria, em entrevista ao NeoFeed no início de março.
A estratégia, posteriormente, também chegou a ser questionada pela Mak, em meio a divergências sobre um possível M&A com a Porto Seguro.
Sem conseguir o waiver junto aos credores, a própria companhia admitiu, em balanço divulgado na semana passada, a existência de uma “incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa quanto à capacidade de continuidade operacional”.
De acordo com a Oncoclínicas, dos R$ 3,23 bilhões em dívidas, R$ 2,9 bilhões estão comprometidos pela quebra dos covenants. Desse valor, a companhia ainda não havia obtido waivers para R$ 1,88 bilhão.
Além da via judicial, a Oncoclínicas também vem avaliando uma possível saída via M&A. Na mesa, está uma proposta da Porto Seguro para assumir a parte operacional das clínicas de oncologia, com a Oncoclínicas mantendo a maior parte dos direitos econômicos, mas menos da metade das ações com direito a voto da operação.
A proposta chegou a ser criticada em manifestação de conselheiros da companhia, que apontaram que o fato de a negociação ter sido conduzida por acionistas — e não pela administração — poderia comprometer sua credibilidade.
Os conselheiros que se posicionaram contra a proposta são os mesmos apoiados pela Mak Capital, que também tem se colocado de forma crítica à operação. Em paralelo, a gestora chegou a apresentar uma proposta alternativa de uma injeção de R$ 500 milhões, condicionada à destituição do atual conselho.
Com valor de mercado de R$ 1,44 bilhão, a ação ONCO3 acumula queda de 53,7% em 2026 na B3.