Após pouco mais de dois anos do início de um namoro – e, em uma relação que, aparentemente, nos últimos tempos, parecia mais morna -, a Arezzo&Co e o Grupo Soma surpreenderam o mercado ao anunciar a fusão de suas operações no início de fevereiro, conforme antecipou, na época, o NeoFeed.

Agora, passado pouco mais de um mês do sim dado pelas duas “house of brands” do varejo de moda, a perspectiva é de que, muito em breve, a nova operação combinada tenha o caminho livre para começar a perseguir as sinergias dessa associação.

“Com base na orientação dos nossos assessores, a nossa expectativa é de que, até a metade de abril, a gente tenha a aprovação do Cade”, afirmou Rafael Sachete, CFO da Arezzo&Co, em teleconferência com analistas na manhã desta sexta-feira, 8 de março.

Após passar pelo crivo do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) – a entrada no processo junto ao órgão foi dada em 29 de fevereiro, o próximo passo será submeter a transação à aprovação dos acionistas das duas empresas em assembleias. Cumprido esse rito, a fusão estará, de fato, consumada.

“Mas é importante salientar que, com a aprovação definitiva do Cade, já podemos começar a trabalhar juntos num nível mais operacional e estratégico”, disse Sachete. “Inclusive, já capturando algumas sinergias de receita ou operando junto em algumas marcas através de evoluções estratégicas.”

Como parte desse calendário, Alexandre Birman, CEO da Arezzo&Co, ressaltou que, nos 33 dias que se seguiram ao anúncio, incluíram um trabalho junto a uma consultoria em que boa parte das teses que justificaram o acordo foi “mais do que comprovada”.

“O nosso principal play com a fusão é gerar valor de receita. Então, aqui, a tese não é de eficiência operacional e redução de despesa. É vender mais”, afirmou Birman, que citou um exemplo de frente onde a nova holding tem espaço para avançar nesse objetivo.

“As marcas do Soma têm memória afetiva e são best in class no vestuário feminino. Mas praticamente não vende calçados e bolsas”, pontuou. “Todas as marcas de moda do mundo têm uma receita mínima de 25% a 30% nessas categorias.”

Apesar de frisar que o grupo ainda está em fase de análise sobre a alocação de capital da operação, Birman elencou quais devem ser alguns dos principais destinos dos recursos no portfólio da nova companhia para 2024.

Parte dos investimentos será aplicada no rebranding da Animale e em uma expansão mais acelerada da Farm, que, em seu horizonte, já tem previstas, por exemplo, inaugurações de lojas em Paris e Dubais. Ainda no escopo das marcas do Soma, outro foco será a expansão das mega stores da Hering.

Já no plano do portfólio atual da Arezzo&Co, a remodelagem das lojas da marca Schutz e a inauguração, em maio, de um novo conceito arquitetônico da marca Arezzo, no shopping Iguatemi, em São Paulo, serão algumas das prioridades.

Ao destacar que a integração será feita em três ondas, sendo a primeira delas em 2024 e a segunda em 2025, Birman acrescentou que a terceira fase, em 2026, envolverá uma mudança mais profunda no modelo de suprimentos, para reduzir o capital empregado nos níveis de estoques em vestuário.

Balanço

As atualizações sobre a fusão foram precedidas pela divulgação dos resultados da Arezzo&Co no quarto trimestre e no ano de 2023. Entre outubro e dezembro, o grupo apurou um lucro líquido de R$ 121,1 milhões, alta de 22,5%. No ano, o crescimento nessa linha foi de 8,7%, para R$ 398,6 milhões.

Já a receita líquida avançou 8,6% no trimestre, para R$ 1,4 bilhão, enquanto, em 2023, o salto foi de 14,5%, para R$ 4,8 bilhões. O Ebitda trimestral foi de R$ 214,4 milhões, 16% superior ao registrado em igual período, um ano antes.

O Ebitda de 2023, por sua vez, ficou em R$ 773,2 milhões, o que representou um crescimento de 22%. A margem Ebitda no quarto trimestre foi de 15,1%, contra 14,6%, um ano antes, e de 16% no consolidado de 2023, contra 15,5% em 2022.

A Arezzo&Co fechou o ano com uma dívida líquida de R$ 331,4 milhões, frente à dívida de R$ 448,9 milhões no fim de 2022. Já a alavancagem, medida pela relação dívida líquida/Ebitda ficou em 0,4 vez, ante 0,6 vez no terceiro trimestre de 2023.

As ações do grupo estavam sendo negociadas com ligeira queda de 0,46% no pregão dessa sexta-feira, por volta das 12h55, cotadas a R$ 58,45. Em 2024, os papéis acumulam uma desvalorização de 9,4% e a empresa está avaliada em R$ 6,47 bilhões.