A Avenue recebeu do Banco Central do Brasil a licença de banco de investimento. Na véspera do Natal, a plataforma offshore consolidou a etapa mais importante de sua estratégia de expansão regulatória.

A autorização permitirá à Avenue ampliar sua oferta de serviços financeiros, incluindo operações mais independentes de câmbio e novos produtos de financiamento cross-border, algo que já é uma demanda dos clientes. A ideia, por exemplo, é melhorar a capacidade operacional em câmbio, usando o próprio balanço de forma mais independente.

"Essa licença faz parte de um plano maior de investimento em infraestrutura", afirma Roberto Lee, fundador e CEO da Avenue, ao NeoFeed. "Estamos projetando ao longo dos próximos anos, das próximas décadas, tanto recurso brasileiro vindo para fora que precisamos investir muito em um arranjo de infraestrutura muito maior do que todo mundo tem hoje."

O banco de investimento não é apenas uma business unit, mas uma parte importante da infraestrutura existente do negócio - por isso, ficará sob o guarda-chuva do sócio e COO Alexandre Artmann. Em vez de escalar com estruturas regulatórias mais leves, a Avenue buscou mais supervisão, mais capital regulatório e mais governança como base para a próxima fase de crescimento.

Para Lee, crescer reduzindo exigências regulatórias levaria a uma “corrida para o fundo do poço”, incapaz de sustentar uma categoria que começa a movimentar volumes cada vez mais relevantes. “Quando você está lidando com patrimônio das famílias, não dá para operar com mentalidade de startup com baixa regulação”, diz o CEO.

Por esse motivo, a licença de banco de investimento representa o ápice da supervisão e transparência regulatória no Brasil para uma empresa que projeta uma “diáspora patrimonial brasileira” no montante de R$ 1 trilhão no médio prazo.

Para a Avenue, o uso do sistema financeiro internacional pelos brasileiros está se expandindo na mesma velocidade da quebra de barreiras dos empregos e da língua, dois movimentos que exigem renda e patrimônio no exterior.

Jovens brasileiros, por exemplo, estudam fora, trabalham remotamente para empresas estrangeiras e recebem em outras moedas. Para esse público, a fronteira é tênue entre “investir no exterior” em ações e bonds e “operar financeiramente no exterior”. “Não é mais só sobre retorno. É sobre estar integrado ao mundo”, diz Lee.

Essa estratégia de robustez regulatória não se limita ao Brasil. A Avenue deve avançar para obter novas licenças nos Estados Unidos, focando especialmente em custódia e compensação de ativos. "Ao longo do tempo, devemos caminhar para ser self-clearing. É um projeto que já ocorre aqui dentro, que tocamos no dia a dia, mas que levam anos para se colocar de pé", afirma Lee.

A busca por maior independência operacional nos EUA visa a garantir mais controle sobre a guarda dos ativos dos clientes e reduzir dependências de terceiros em operações críticas. Em fevereiro de 2026, a Avenue dará início à sua vertical institucional para atender empresas, gestoras de recursos e de patrimônio brasileiras que operam nos Estados Unidos.

A previsão é que a nova operação vá avançando com as cerca de 250 gestoras parceiras que a casa já tem relacionamento e já operam internacionalmente. O mercado endereçável deve gerar cerca de US$ 100 milhões anuais de receita.

Fluxo de recursos para o exterior

Ao longo dos últimos oito anos, a Avenue observou um padrão sempre que o cenário fica mais incerto, seja por eleições, dúvidas fiscais ou deterioração de expectativas: o fluxo de recursos para o exterior se acelera.

É como se fosse um ciclo. Nos momentos de maior previsibilidade, o ritmo desacelera. Em períodos de incerteza, o investidor antecipa decisões. “Não é que a trajetória mude. Ela já existe. O que muda é a velocidade”, afirma Lee.

Para 2026, um ano que será marcado por eleições presidenciais no Brasil, a expectativa é justamente de um ambiente que favoreça a aceleração da internacionalização do patrimônio do brasileiro. "É um ano de eleição, então é um cenário incerto por natureza", diz ele.

A Avenue, que agora tem o Itaú Unibanco como controlador após o banco exercer a opção de compra no início de dezembro de 2025 e elevar sua participação para 50,1%, encerrou o ano passado mais próximo da marca de R$ 50 bilhões sob custódia - um número que a empresa não confirma.

Quando o acordo com o Itaú foi fechado, em 2022, a plataforma detinha cerca de R$ 5 bilhões sob custódia. Agora, mesmo sem qualquer mudança operacional no dia a dia, a troca de controlador está sendo avaliada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade)

"Além de dar um empurrão em termos de tamanho e credibilidade, o Itaú transfere para nós muita governança, que é essencial e fundamental. Tem coisas que demoram 100 anos para você aprender", diz Lee.

A Avenue vai manter a gestão independente e continuar atendendo seus diferentes canais de distribuição. O Itaú é o maior distribuidor da plataforma, mas a operação B2C direta e o canal B2B, que inclui consultorias de investimento, gestores e family offices, permanecem ativos.