Cinco anos depois de fazer sua primeira investida para adquirir uma fatia da Universal Music Group, a Pershing Square, gestora do bilionário Bill Ackman, está subindo o tom em uma nova tentativa de comprar a gravadora por trás de artistas como Taylor Swift, Bad Bunny, Bruno Mars e Ariana Grande.
A gestora anunciou nesta terça-feira, 7 de abril, que fez uma oferta para a aquisição da Universal Music Group em um acordo que avalia a companhia em cerca de € 55,7 bilhões (US$ 63,5 bilhões) e que envolve a orquestração de um arranjo um tanto quanto complexo.
Nos termos colocados na mesa, a transação, dividida entre dinheiro e ações, avalia o negócio em € 30,40 por ação, o que representaria um prêmio de 78% em relação à cotação de € 17,10 do papel no fechamento do pregão da segunda-feira, 6 de abril.
Segundo a Pershing Square, o negócio permitiria à nova empresa extinguir 17% de suas ações, o que se traduziria em um valor patrimonial de aproximadamente US$ 58 bilhões após o pagamento da parcela em dinheiro.
Essa cifra parte da premissa de que o valor dos papéis da nova operação será substancialmente maior do que o patamar atual. De acordo com a gestora, isso seria possível porque, em linha com a proposta, a nova empresa assumiria € 5,4 bilhões em dívidas e venderia sua participação no Spotify por € 1,5 bilhão.
Em outra alternativa para avaliar o negócio, os acionistas da Universal Music poderiam optar por receber todas as ações ou todo o valor em dinheiro. Se um número suficiente deles opte apenas pelas ações, aqueles que escolherem o valor em dinheiro irão receber € 22 por ação.
O acordo seria viabilizado por meio de uma fusão com a Pershing Square SPARC Holding, uma Special Purpose Acquisition Rights Company (SPARC), na prática, uma variação das Special Purpose Acquisition Companies (SPAC) ou “empresas de cheque em branco”.
No primeiro modelo, a SPAC levanta recursos no mercado de capitais e busca um alvo para uma aquisição. Já, na SPARC, a premissa inicial é justamente o contrário. A largada se dá com a escolha do ativo e, posteriormente, a captação do montante para a conclusão do acordo.
A gestora informou ainda que, a partir da associação, a nova empresa teria sede em Nevada, nos EUA, e transferiria a listagem de suas ações da Bolsa de Valores de Amsterdã para a Bolsa de Valores de Nova York. E nomearia um novo conselho, que incluiria Michael Ovitz, ex-presidente da Disney.
“O preço das ações da Universal Music tem estado em baixa devido a uma combinação de problemas que não estão relacionados ao desempenho dos seus negócios musicais e, o mais importante, todos eles podem ser resolvidos com essa transação”, disse Ackman, em proposta enviada ao grupo, segundo o The Wall Street Journal.
Ackman afirmou ainda que a gestão da empresa fez um trabalho excelente na gestão do negócio. Mas atribuiu a baixa cotação das ações a questões como o atraso na planejada listagem nos EUA e à subutilização do balanço patrimonial.
As ações da Universal Music chegaram a subir mais de 12% em Amsterdã nessa terça-feira. E, por volta das 14h20 (horário local), registravam alta de 8,98%, avaliando o grupo em € 34,1 bilhões. No ano, porém, os papéis recuam mais de 16%.
Apesar dessa reação inicial, o caminho para obter um sinal verde para a transação, assim como os termos da proposta, não é fácil. O acordo precisará ser aprovado por dois terços dos acionistas da Universal Music.
Atualmente, o negócio tem como principais acionistas a família Bolloré, com uma fatia de mais de 18%; o conglomerado francês Vivendi, também controlado pelo clã, com outros 10%; e a chinesa Tencent, com aproximadamente 11%.
Caso esse complexo arranjo soe como música aos ouvidos desses acionistas, o acordo representaria uma vitória para Ackman, que, em 2021, fez sua primeira tentativa de comprar uma participação de 10% da gravadora, por meio de uma SPAC, no caso, a Pershing Square Tontine Holdings.
Entretanto, pouco tempo depois, Ackman retirou a proposta de cerca de US$ 4 bilhões após a Securities and Exchange Commission (SEC) levantar uma série de questionamentos sobre a estrutura da operação, que também previa uma listagem na Bolsa de Nova York.
Na época, a solução encontrada pelo bilionário foi a compra direta de 7,1% da Universal Music por meio do fundo de hedge da própria Pershing Square, em uma transação de aproximadamente US$ 2,8 bilhões. E cuja fatia, posteriormente, chegou a 10%.
Um ano depois dessa investida, Ackman passou a ocupar um dos assentos no conselho de administração da gravadora, que se tornou uma das maiores posições detidas pela Pershing Square. Em 2025, porém, ele deixou o board, alegando outros compromissos.