O julgamento da fusão entre Petz e Cobasi era considerado um dos mais complexos pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) dos últimos anos. Mas, na quarta-feira, 10 de dezembro, o sinal verde foi dado para a criação do grupo com faturamento combinado perto de R$ 7 bilhões, mais de 480 lojas e presença física e digital em quase todo o País.

O sim do Cade veio acompanhado da assinatura de um Acordo em Controle de Concentração (ACC) que inclui a venda obrigatória de 26 lojas em São Paulo, além de um pacote de obrigações comportamentais, que será monitorado de perto pela autarquia.

A aprovação foi concedida por maioria. O relator José Levi Mello do Amaral Jr. reconheceu as preocupações, mas defendeu que o conjunto de compromissos “gera uma situação concorrencial melhor do que a atual”.

Em sua citação, o relator disse que “o ótimo é inimigo do bom” e que não existe uma solução perfeita nessa fusão, mas uma que resolve o essencial para o negócio.

O remédio imposto pelo Cade está concentrado em São Paulo, onde Petz e Cobasi detêm a maior sobreposição geográfica e onde a fusão poderia gerar efeitos mais graves sobre concorrentes menores.

As 26 lojas que serão vendidas representaram cerca de 3,3% do faturamento combinado das empresas nos últimos 12 meses.

O que ajudou o Cade a determinar essas vendas foi o interesse do mercado nos ativos. A Petlove, terceira maior varejista do setor e participante ativa do processo, por exemplo, se colocou como “compradora natural” das unidades.

Para o presidente da autarquia, Gustavo Augusto Freitas de Lima, isso só acontece quando há mercado para absorver imediatamente os ativos. “O que dá conforto é haver mais de um interessado”, afirmou ele. “Se vai dar certo ou não, vamos medir e monitorar.”

Sob vigilância

Além da venda de lojas, o ACC inclui obrigações comportamentais que não foram tornadas públicas. Mas elas envolvem regras para a execução da alienação, compromissos relacionados a práticas comerciais e obrigações de transparência - pontos que o próprio tribunal disse querer acompanhar de perto.

A mensagem é que a "superpet" nasce com coleira curta e GPS ligado. O Cade deixou explícito que haverá monitoramento contínuo para avaliar impactos sobre preços, sortimento, condições comerciais e a rivalidade com operadores online, pet shops independentes e supermercados.

A operação Petz e Cobasi já havia sido analisada e aprovada pela superintendência-geral do Cade em junho deste ano. Mas um recurso (ainda de 2024) levou o caso ao tribunal administrativo. Desde então, o processo ganhou contornos públicos com audiência aberta, manifestações de setores organizados e pressões de empresas rivais.

A principal oposição veio da Petlove, que argumentou que a operação criaria um grupo “30 vezes maior que o terceiro colocado”, prejudicando a rivalidade de mercado. A empresa também sustentou que a venda de 26 a 28 lojas seria um remédio “inefetivo”.

A divergência foi parcialmente incorporada por uma voz de dentro do Cade. A conselheira Camila Cabral afirmou que, mesmo calibrado, o pacote “deixa muitos problemas”, criticando limitações metodológicas dos estudos econômicos e sugerindo que a participação de rivais teria sido superestimada. No entanto, prevaleceu o entendimento do relator e da maioria.

Na B3, a ação PETZ3 chegou a registrar alta de pouco mais de 6% às 14h. Às 16h10, o papel estava com 4,1% de valorização sobre o fechamento do dia anterior. No ano, a valorização é de 8,5% contra 31,9% do Ibovespa. O valor de mercado da companhia é de R$ 2 bilhões.