Maior cervejaria do mundo, a AB InBev está indo às compras neste início de 2026. Ou melhor, à recompra. A companhia anunciou nesta terça-feira, 6 de janeiro, que está readquirindo a fatia de 49,9% de suas fábricas de embalagens nos Estados Unidos, em um acordo avaliado em cerca de US$ 3 bilhões.
A companhia havia vendido a participação em questão para um grupo de investidores liderado pela gestora de private equity Apollo Global Management, em 2020, mas manteve o controle da operação, que envolve sete fábricas em seis estados americanos.
Na época, a AB InBev fechou o acordo para levantar recursos com o objetivo de equacionar suas dívidas. A transação incluía um contrato de fornecimento de longo prazo para atender suas demandas de embalagens e uma opção de recompra no prazo de cinco anos, com um valor predeterminado.
“Nossas fábricas de embalagens metálicas nos Estados Unidos são um componente estratégico de nossos negócios, garantindo qualidade, eficiência de custos, velocidade de inovação e segurança de fornecimento para nossas marcas”, ressaltou a empresa, em nota.
Esse é o primeiro acordo inorgânico de maior porte anunciado pela AB InBev, dona de marcas como Budweiser, Stella Artois e Corona, desde que elegeu a redução das dívidas como uma de suas prioridades.
Com expectativa de conclusão neste primeiro trimestre de 2026 e de impulsionar os lucros já a partir desse ano, a recompra da participação será financiada com recursos próprios. E tem como pano de fundo um contexto de alta nos custos do alumínio, em função das tarifas impostas por Donald Trump.
Em junho de 2025, o presidente dos Estados Unidos dobrou as tarifas de importação de alumínio para 50%, com o pretexto de incentivar o investimento na produção local do material, utilizado, além do setor de embalagens, em segmentos como construção civil e energia.
Esse cenário tem levado o preço do alumínio a patamares recordes. O preço de referência do material para entrega em três meses na London Metal Exchange, a Bolsa de Metais de Londres, chegou a US$ 3.130 por unidade nessa terça-feira, o valor mais alto desde abril de 2022, segundo a Reuters.
Em entrevista recente à agência, Michel Doukeris, CEO da AB InBev, afirmou que as estratégias de hedge ajudaram a proteger as operações do grupo desse impacto. Ele ressaltou, porém, que os efeitos poderiam ser mais críticos nesse ano.
O impacto das tarifas não é, porém, o único desafio a ser enfrentado pela empresa. Outra questão que tem impactado a companhia e outros pares do setor é a tendência do menor consumo de bebidas alcoólicas entre as novas gerações de consumidores.
No retrato mais recente desse cenário, a companhia registrou uma queda de 3,7% em seu volume de vendas no terceiro trimestre de 2025, o que representou a décima retração trimestral consecutiva nesse indicador. No período, o volume de cervejas recuou 3,9%.
Em outros dados do balanço do terceiro trimestre, o grupo reportou um lucro líquido de US$ 1,05 bilhão, queda de 49,3% sobre o mesmo intervalo de 2024. A receita, por sua vez, teve uma ligeira alta de 0,9%, para US$ 15,1 bilhões.
Listadas na bolsa Euronext, as ações da AB InBev registravam alta de 0,37% por volta das 15h50 (horário local) de hoje. Em doze meses, os papéis acumulam uma valorização de 13,9%, dando ao grupo um valor de mercado de € 105,3 bilhões.