Após resolver os problemas que teve com o INSS, que suspendeu a concessão de novos empréstimos consignados a aposentados, o Agibank seguiu adiante com os planos de abrir capital nos Estados Unidos.
O banco digital protocolou na quarta-feira, 14 de janeiro, o prospecto preliminar de seu IPO na Securities and Exchange Commission (SEC), previsto para ocorrer na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse).
O documento não informa quanto o banco digital pretende levantar. Fontes citadas pela Bloomberg, no entanto, dizem que o alvo é levantar US$ 1 bilhão. Na última rodada de investimentos, em dezembro de 2024, que marcou a entrada da Lumina Capital, o Agibank foi avaliado em aproximadamente US$ 1,5 bilhão (R$ 9,3 bilhões à época).
A operação envolverá a listagem de ações classes A e B. No documento, o Agibank informa que os papéis classe B dão direito a 10 votos por unidade, enquanto as ações ordinárias classe A têm direito a um voto por ação. As ações classe B não serão listadas nem negociadas publicamente, enquanto as classe A serão negociadas sob o ticker “AGBK”.
Segundo o prospecto, após a conclusão da oferta, todas as ações ordinárias classe B serão detidas por Marciano Testa, fundador e controlador do Agibank.
Atualmente, a fatia de Testa no banco é estimada em cerca de 70%. O Agibank conta com a Vinci Compass em sua base de acionistas, com pouco mais de 19% do capital, e com a Lumina, de Daniel Goldberg, com aproximadamente 4%.
O Agibank vinha analisando a abertura de capital há tempos, iniciando os preparativos no fim do ano passado, com intenção de estrear no mercado no começo de 2026. Mas, no fim de 2024, o INSS anunciou a suspensão, por tempo indeterminado, do recebimento de novas averbações de crédito consignado pelo banco, um baque na principal linha de receita do banco.
A decisão foi tomada após auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) identificar supostas “irregularidades e práticas lesivas aos beneficiários do INSS”, como contratos assinados sem consentimento expresso.
No prospecto, o Agibank informou que a suspensão foi revertida em 12 de janeiro, após acordo com o INSS. O banco se comprometeu a melhorar procedimentos, como fortalecimento dos sistemas de verificação de documentação e revisão de transações passadas, além do pagamento de indenização de R$ 1 milhão.
O Agibank informou que pretende utilizar os recursos do IPO para “fins corporativos gerais”. O banco quer alcançar R$ 100 bilhões em concessão de crédito até 2030, plano que inclui ampliar presença física no País, atingindo 2,5 mil unidades no período, conforme revelaram executivos ao NeoFeed no fim de 2024.
O mercado endereçável do Agibank é de aproximadamente 100 milhões de pessoas que vivem no interior ou na periferia de grandes cidades. Em comum, têm pouco acesso à internet e necessitam de apoio no ambiente digital.
O banco informou no prospecto que pode destinar parte do valor para aquisições, destacando que não possui “neste momento, acordos ou compromissos para quaisquer aquisições ou investimentos relevantes”.
Com o pedido, o Agibank se junta ao PicPay, que também protocolou um pedido para fazer IPO nos Estados Unidos, no começo do mês.
O Agibank registrou lucro líquido de R$ 875,5 milhões nos primeiros nove meses do ano, alta de 35,4% em relação ao mesmo período de 2024. O retorno sobre patrimônio líquido (ROAE) foi de 40,9% nos últimos 12 meses.
A carteira de crédito atingiu R$ 33,8 bilhões, aumento de 54,3% na comparação anual, enquanto a receita líquida subiu 54%, para R$ 8,1 bilhões.
O Agibank está sendo assessorado por Goldman Sachs, Morgan Stanley, Citi, Bradesco BBI, BTG Pactual, Itaú BBA, Santander, Société Générale, XP Investimentos e Oppenheimer.