A “fumaça branca” finalmente saiu do castelo da Disney. A companhia anunciou na terça-feira, 3 de fevereiro, que Josh D’Amaro será seu novo CEO, substituindo Bob Iger, com investidores questionando se, desta vez, o processo de sucessão terá êxito.
Aos 54 anos, sendo 28 dedicados à empresa, D’Amaro foi eleito por unanimidade pelo conselho de administração e deve assumir o cargo após a assembleia de acionistas, marcada para 18 de março. Iger atuará como consultor sênior e membro do conselho até o término de seu contrato, em 31 de dezembro.
“Josh D’Amaro é um líder excepcional e a pessoa certa para se tornar nosso próximo CEO”, afirmou Iger, em nota. “Ele tem uma apreciação instintiva da marca Disney e uma profunda compreensão do que ressoa com nosso público, aliada ao rigor e à atenção aos detalhes necessários para entregar alguns de nossos projetos mais ambiciosos.”
No comando, D’Amaro terá de provar que é o sucessor adequado, após o fracasso do processo anterior. Em 2020, depois de 15 anos à frente da companhia, Iger deu lugar a Bob Chapek, então chefe dos parques da Disney.
Menos de dois anos depois, Chapek foi demitido em meio a um motim dos principais executivos e resultados abaixo do esperado durante a pandemia, levando o conselho a chamar Iger de volta.
O retorno, porém, tinha prazo definido. A Disney elaborou uma estratégia para que a escolha do novo CEO ocorresse da forma mais tranquila possível. O processo foi supervisionado pelo presidente do conselho, James Gorman, que ingressou em 2024 após conduzir com sucesso a sucessão no Morgan Stanley.
D’Amaro assumirá em meio a cobranças de investidores por crescimento, já que o preço das ações caiu quase pela metade em relação ao pico de 2021 e permanece estagnado há três anos, segundo cálculos do jornal The Wall Street Journal (WSJ). Em 12 meses, os papéis acumulam queda de 18,4%, a US$ 35,82, reduzindo o valor de mercado para US$ 182,7 bilhões.
Essa situação foi um dos fatores que levaram o investidor ativista Nelson Peltz a iniciar uma campanha contra Iger. No fim, o experiente executivo da Disney levou a melhor.
Atualmente, D’Amaro é chefe da área de parques temáticos e cruzeiros, setor em que passou a maior parte de sua carreira e que se tornou a principal fonte de lucro da Disney – no primeiro trimestre do ano fiscal de 2026, encerrado em 27 de dezembro, respondeu por 72% do lucro operacional consolidado, de US$ 4,6 bilhões.
Funcionários atuais e antigos da Disney ouvidos pelo WSJ consideravam D’Amaro o candidato mais provável para suceder Iger, devido à sua experiência no segmento em que a empresa aposta para impulsionar o crescimento, sustentado mais por preços do que pelo volume de visitantes. A Disney, inclusive, alertou para a possível queda nas visitas aos parques por conta das restrições de vistos impostas pelo governo Trump.
Uma fonte afirmou ao jornal que D’Amaro também pretende ampliar o peso dos videogames na companhia. Ele foi um dos principais defensores do investimento de US$ 1,5 bilhão na Epic Games, em 2024.
Outro desafio será a unidade de entretenimento. Embora menor que a de parques e cruzeiros, é responsável por criar os personagens e histórias que sustentam as atrações.
Sua concorrente ao cargo, Dana Walden, era apontada como forte candidata justamente por sua experiência nessa área. Ela ingressou na Disney em 2019, após a aquisição do portfólio da Fox, e obteve bons resultados ao impulsionar o Disney+ e o Hulu, ainda que os números sejam inferiores ao auge da televisão na década de 2010.
A Disney acabou criando um novo cargo para Walden: chefe criativa, responsável por supervisionar todos os filmes e séries da empresa. Sua missão não será fácil, considerando que as principais franquias, Marvel e Star Wars, não têm apresentado o mesmo desempenho de anos anteriores.