A Synvia prepara um investimento de R$ 100 milhões em 2026 para acelerar sua expansão internacional. A maior empresa de pesquisas clínicas da América Latina quer se tornar uma multinacional brasileira de referência global, com meta de faturar R$ 1 bilhão em cinco anos - quatro vezes mais que os atuais R$ 250 milhões.

Hoje, 10% da receita da companhia vem de fora do Brasil, principalmente da América do Sul. O objetivo é que o mercado externo represente metade do faturamento, com presença na Europa, nos Estados Unidos, no Canadá e no Oriente Médio.

“Meu objetivo é desenvolver uma escala global, com ampla integração entre os negócios da companhia. Além da Anvisa, miramos também no FDA e em agências regulatórias europeias”, afirma Pedro Ducci Serafim, CEO da Synvia, ao NeoFeed.

Nos últimos anos, a empresa conquistou selos importantes para abrir portas no exterior. A Synvia foi o primeiro centro latino-americano a receber inspeção e certificação do Conselho de Cooperação dos Estados Árabes do Golfo (GCC), formado por Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã.

E obteve o aval da Informed, agência reguladora de Portugal integrante da EMA, a agência europeia de medicamentos. “Queremos nos tornar uma multinacional brasileira de pesquisas clínicas de referência global”, afirma Serafim.

A empresa tem contrato com praticamente todas as farmacêuticas que atuam no Brasil e é responsável por estudos de mais da metade dos genéricos hoje no mercado.

Entre os projetos em andamento está a implementação, no Brasil, de testes da versão genérica da caneta emagrecedora de liraglutida, para ser usada no mercado farmacêutico da Alemanha - o nome das empresas contratantes são mantidos em sigilo por contrato.

“Estamos trabalhando com farmacêuticas europeias, que não necessariamente tenham estrutura no Brasil. Por isso que é importante ter a aprovação de uma agência regulatória internacional”, diz o empresário.

A exemplo do que ocorreu no Brasil, a patente do Saxenda, produto referência de liraglutida produzido pela dinamarquesa Novo Nordisk, também já expirou no país europeu. No mercado brasileiro, apenas a EMS tem medicamentos similares, a partir do lançamento de Olire e Lirux, em agosto do ano passado.

Há uma expectativa pelo fim da patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic, produzido também pela Novo Nordisk, em várias partes do mundo em 2026.

Pedro Ducci Serafim CEO Synvia
Pedro Ducci Serafim, CEO da Synvia

No Brasil, ela termina em março, mas, ao contrário do que acontece em outros países, a Anvisa não exige teste de bioequivalência para as canetas genéricas e similares. Por isso, neste caso, a Synvia tem mirado o cenário farmacêutico internacional. “A demanda está grande na Alemanha, que dita a tendência na União Europeia”.

Além das canetas emagrecedoras que vão entrar no mercado global após acabar a exclusividade da Novo Nordisk, a Synvia também vai estudar novas moléculas para desenvolvimento de medicamentos inovadores para obesidade.

“Tem empresas menores no exterior que nem aparecem no radar, mas que estão fazendo trabalhos interessantes nesse mercado. São biotechs muito promissoras. Por isso que enxergamos um mercado expressivo”, diz Serafim.

A Synvia também realizará este ano os primeiros testes específicos de medicamentos genéricos para os mercados dos Estados Unidos e Canadá.

No Brasil, a companhia participa da fase de estudos da vacina da gripe desenvolvida pelo Instituto Butantan, com cerca de 6,9 mil pacientes.

Para absorver o aumento da demanda, ampliará sua unidade em Campinas (SP), que hoje conta com 164 leitos e recruta mais de 10 mil voluntários por ano em mais de 200 projetos de pesquisa.

Da fatia da receita relacionada aos testes clínicos, hoje 70% vêm do segmento de genéricos e 30% de medicamentos inovadores. Mas a tendência é de ampliação maior com estudos dos remédios de marca.