Os últimos dias têm sido de preocupação para os principais investidores de Wall Street, principalmente após a publicação de um relatório da Citrini Research, trazendo hipóteses de como a inteligência artificial (IA) poderia transformar os meios de pagamento. O resultado foi a queda das ações dos principais bancos, desde segunda-feira, 23 de fevereiro.
Mas, para Jamie Dimon, CEO do J.P. Morgan, o receio é exagerado. “Na minha opinião, seremos vencedores. Nossa estratégia sempre foi usar a tecnologia para fazer um trabalho melhor para os clientes e somos muito bons nisso”, disse o banqueiro, durante reunião com investidores em Nova York.
O J.P.Morgan esteve entre as instituições que tiveram suas ações impactadas nesta semana devido a preocupações do avanço da IA no setor financeiro. Nos últimos cinco dias, por exemplo, os papéis do banco na bolsa de Nova York sofreram desvalorização de 4,5%.
Na segunda-feira, 23 de fevereiro, as ações da American Express caíram cerca de 7%, enquanto Citigroup e Morgan Stanley recuaram 4%. Os papéis da Mastercard, por sua vez, tiveram desvalorização de 6%, e os da Visa, 4%.
Mesmo com o tom otimista, Dimon reconheceu que há um grande número de concorrentes, principalmente fintechs, que têm conseguido alcançar resultados superiores ao do J.P.Morgan em alguns segmentos.
“Existem inúmeras empresas de pagamento, como Chime, Revolut, PayPal e Stripe. Levamos uma surra em certos aspectos. Precisamos competir nesse nível também. Não podemos simplesmente ignorar a realidade”, afirmou.
Justamente até para enfrentar com mais força essa concorrência, o CEO do J.P. Morgan afirmou que o banco planeja investir US$ 20 bilhões em tecnologia neste ano, um aumento de US$ 2 bilhões em relação aos aportes realizados no ano passado.
Em um relatório, a analista da UBS, Erika Najarian, afirmou que o mercado vê as instituições financeiras, particularmente os grandes bancos, como vencedores relativos no setor financeiro em decorrência de uma possível disrupção causada pela IA.
A executiva acrescentou que o J.P. Morgan tem consistentemente adotado mudanças tecnológicas e que os investidores estão “muito interessados em ouvir sua opinião não apenas sobre os ganhos de produtividade da IA, mas também sobre seu potencial para impulsionar o crescimento da receita”.
Mesmo com a forte nevasca que atingiu Nova York, Nova Jersey e Connecticut, Dimon não mudou os planos para a realização do Investor Day do J.P. Morgan na segunda-feira, na sede do banco.
Uma série de possíveis sucessores de Dimon, incluindo Marianne Lake, chefe da unidade de consumo, e os chefes do banco comercial e de investimento, Troy Rohrbaugh e Doug Petno, sentaram-se juntos no palco e responderam a perguntas sobre o futuro do maior banco dos Estados Unidos.
“Vocês devem ter percebido que muitos dos nossos concorrentes agora têm estratégias um pouco semelhantes às nossas e eu acho que a imitação é a forma mais sincera de elogio”, disse Lake.
Dimon, que lidera o banco há 20 anos, disse que permaneceria “por alguns anos como CEO”, mas não deu mais detalhes. No mês passado, havia declarado que planejava ficar por mais de cinco anos como presidente-executivo da instituição.
O banco superou as estimativas de lucro de Wall Street em todos os trimestres do ano passado, segundo dados compilados pela LSEG, a bolsa de Londres. A instituição encerrou 2025 com um lucro líquido de US$ 57 bilhões, queda de 2%.
As ações do banco subiram 34,4% em 2025, superando um índice que acompanha os principais bancos americanos e o índice de referência de ações em geral. O valor de mercado do J.P. Morgan é de US$ 801 bilhões.