O banco britânico Revolut atingiu um valuation de US$ 75 bilhões no segundo semestre de 2025, após realizar uma oferta secundária de ações. A operação, que o colocou como um dos maiores bancos digitais do mundo, foi um marco também para o fundo de venture capital inglês Balderton Capital, que realizou ganhos de US$ 2 bilhões com a venda de sua participação na companhia.
O resultado foi proveniente de um investimento inicial de £ 1 milhão na fintech, que fez parte do quinto fundo da empresa – representando um retorno de mais de 25 vezes os US$ 305 milhões inicialmente captados, segundo relataram fontes ao Financial Times (FT). Isso sem contar que o fundo manteve ao menos 10% de sua participação no Revolut intacta.
“As melhores empresas continuam desbloqueando oportunidades e sabíamos que Nikolay Storonsky era um empreendedor que faria exatamente isso com a Revolut”, afirmou Daniel Waterhouse, sócio da Balderton que integrou o conselho da Revolut por vários anos, ao FT. “Ele tinha capacidade de levar o negócio para muitos caminhos diferentes.”
O investimento na Revolut foi de longe o melhor feito nos 25 anos de história da Balderton — período em que a gestora captou US$ 5,7 bilhões com seus fundos.
Ao mesmo tempo, esses ganhos foram reforçados por outros ativos do fundo, que vão desde o grupo de energia Fuse, que atingiu uma avaliação de US$ 5 bilhões em dezembro, até a venda da fintech GoCardless por US$ 1,1 bilhão.
Além disso, a britânica Wayve, especializada em direção autônoma, está negociando uma rodada de até US$ 2 bilhões, e a alemã Quantum Systems, fabricante de drones de segurança, triplicou sua avaliação para € 3 bilhões desde o investimento inicial da Balderton, em maio do ano passado.
A aposta da Balderton na Revolut não é recente. A gestora londrina liderou a primeira rodada da fintech em 2015, aportando £ 1 milhão de um total de £ 1,5 milhão investidos, o que levou a avaliação da então startup para a casa dos £ 6,7 milhões.
“A Europa tinha uma vantagem relativa em fintechs, apesar de já ter perdido em outros setores para os Estados Unidos”, afirmou Tim Bunting, ex-sócio do Goldman Sachs que se juntou à Balderton antes do investimento na Revolut, ao FT.
Em seguida, a Balderton também liderou a rodada Série A da Revolut em 2016, quando a empresa captou £ 6,75 milhões com outras gestoras de venture capital e mais £ 1 milhão via crowdfunding, além de participar da rodada Série B de US$ 66 milhões no ano seguinte.
Com os investimentos, o setor financeiro se tornou a grande aposta da gestora, respondendo por quase metade do total investido no quinto fundo. “Não havia qualquer dúvida em nossas mentes de que a oportunidade seria enorme para as fintechs europeias”, afirmou Waterhouse.
A aposta na Revolut ajudou a Balderton, empresa com apenas seis sócios, a se manter no topo do venture capital europeu, ao lado de gestoras gigantes como Index Ventures e Accel. Mas agora o desafio é enfrentar os gigantes internacionais, que estão de olho no desempenho das fintechs europeias.
“A indústria de tecnologia tende a oscilar de forma extrema”, afirmou Waterhouse. “Muitas pessoas se deixam levar pelo hype e pelo drama. Nós somos muito bons em manter o equilíbrio.”