Com a taxa básica de juros ainda bastante elevada como uma de suas grandes vilãs, o ano de 2025 não foi dos mais favoráveis para boa parte das empresas, dos mais variados segmentos da economia. Mas mesmo nesse cenário mais desafiador, há quem tenha o que comemorar. É o caso da Iguatemi.

Operadora de shopping centers, outlets e ativos imobiliários de uso misto, a empresa fechou 2025 com um lucro líquido ajustado de R$ 610,2 milhões, um salto de 22,7% sobre o ano anterior e a maior cifra já registrada pelo grupo na última linha do seu balanço.

Em outro recorde, a Iguatemi reportou um fluxo de caixa operacional ajustado (FFO) de R$ 737,7 milhões no período, um crescimento, em base anual, de 6,4%. No quarto trimestre, porém, houve queda de 9,6% no indicador, para R$ 198,2 milhões.

“Considerando que foi um 2025 de taxa de juros de 15% ao ano, com diversos setores sofrendo e a economia em desaceleração, nós não temos muito o que reclamar”, diz Guido Oliveira, CFO da Iguatemi, ao NeoFeed. “Não fosse isso, nossos números seriam muito melhores.”

Ele ressalta, por exemplo, que um dos impactos desse contexto foi o crescimento de 68,5% das despesas financeiras, para R$ 657,8 milhões.

Em outros números do ano, a receita líquida ajustada avançou 16,6%, para R$ 1,54 bilhão, e as vendas dos shoppings do portfólio tiveram uma expansão de 19,3%, para R$ 25,2 bilhões. Já o Ebitda ajustado cresceu 28,5%, para R$ 1,31 bilhão, com uma margem de 85,5%, contra 77,5%, um ano antes.

As vendas mesma área registraram um salto anual de 10,1% em 2025, enquanto nas vendas mesmas lojas, o desempenho foi 7,7% superior na mesma base de comparação. Nas receitas imobiliárias, os aluguéis mesmas lojas e os aluguéis mesmas áreas cresceram, respectivamente, 7% e 6,6%.

Ainda nessa esfera, a inadimplência líquida do ano ficou negativa em 0,2% e o custo de ocupação foi de 10,9%. Já a taxa de ocupação veio no patamar de 96,4%, contra o índice de 95,7% registrado no ano de 2024.

“Tanto os números de venda como de receita ficaram acima da inflação”, diz Oliveira. “E a nossa inadimplência bruta ficou em torno de 2,5%, isso mesmo com o menor nível de desconto no portfólio dos últimos 15 anos”.

Já no quarto trimestre, o lucro líquido ajustado foi de R$ 158,9 milhões, queda de 3,2%. A receita líquida ajustada cresceu 12,6%, para R$ 422,6 milhões, e as vendas totalizaram R$ 7,9 bilhões, alta de 12,8% sobre igual período de 2024.

Em uma das linhas que têm sido um ponto de atenção de analistas, a Iguatemi encerrou 2025 com uma dívida líquida de R$ 2,21 bilhões e uma alavancagem de 1,68 vez, dentro da meta do grupo, que apontava para um patamar abaixo de 2 vezes.

“Estamos com um custo de dívida bastante baixo, com 102% do CDI”, observa Oliveira. “E com um prazo médio de dívida extremamente confortável, de 4,7 anos. Então, estamos bem tranquilos nesse ponto.”

Foco em expansões e retrofits

A partir desses números e mesmo com uma postura de maior cautela em relação ao calendário de 2026, Oliveira diz que a projeção é de um plano de investimentos superior ao valor aportado no ano passado – de R$ 300 milhões, contra uma projeção inicial para 2025 entre R$ 330 milhões e R$ 400 milhões.

Em linha com uma dinâmica que tem guiado os grandes players do setor, como Allos e Multiplan, o principal destino do montante serão os projetos de expansões e retrofits dos empreendimentos que já estão no portfólio do grupo.

“Ainda não temos o número fechado, mas começamos essas obras em 2025 e, agora, elas se acentuam em 2026”, afirma o CFO. “Já estamos nesse ciclo de investimento e sabemos que é um ano de eleição, com toda volatilidade que ele traz, e de Copa do Mundo, mas nos preparamos para isso.”

A relação de obras em andamento inclui o retrofit do Market Place e as expansões do Iguatemi São Paulo e do Iguatemi Brasília. Além da construção de uma torre comercial no complexo do Iguatemi Campinas e das obras de infraestrutura do Casa Figueira, bairro próximo ao mesmo empreendimento.

Em outra área, os M&As, os últimos meses foram movimentados na Iguatemi. Em dezembro, o grupo vendeu fatias minoritárias do Iguatemi Alphaville, Iguatemi Ribeirão Preto, Iguatemi São José do Rio Preto e Praia de Belas para o XP Malls Fundo de Investimento Imobiliário, por R$ 372 milhões.

Na outra ponta, há duas semanas, a companhia comprou uma fatia de 4,5% no shopping Pátio Paulista, por R$ 113,4 milhões. Com o acordo, a empresa passou a deter 15,95% de participação no empreendimento. A perspectiva, porém, é de que essa agenda seja menos dinâmica daqui para frente.

“Para o ano, não temos nada à vista. Mas temos a diligência de sempre olhar para o mercado e se houver oportunidades, de compra e venda, vamos analisar”, diz Oliveira. “Hoje, porém, estamos mais focados em seguir nesse processo de otimização do portfólio.”

O CFO adota o mesmo tom quando questionado sobre a entrada do grupo no segmento de hotelaria. No início de dezembro, o NeoFeed trouxe com exclusividade que a Iguatemi mantinha negociações com a rede Four Seasons e o grupo paranaense Catuaí nessa direção.

Duas semanas depois, a Four Seasons e a gestora Catuaí Asset anunciaram o projeto de um hotel de luxo no Rio de Janeiro, a partir da aquisição do imóvel onde funcionava o antigo hotel Marina Palace, no Leblon, local também revelado antes pelo NeoFeed. O investimento total estimado na iniciativa é de R$ 600 milhões.

“Eles estão em negociação em São Paulo e fomos convidados a olhar esse projeto”, afirma Oliveira. “Estamos vendo a melhor forma caso venhamos a participar. É como os M&As. Estamos sempre olhando as oportunidades. Mas, nesse caso, ainda não tem nada decidido.”

As units da Iguatemi fecharam o pregão de hoje com alta de 0,86%, cotadas a R$ 29,43. Em 2025, a valorização acumulada é de 15% e, em doze meses, de 60,8%. O grupo está avaliado em R$ 8,19 bilhões.