O CEO do J.P. Morgan, Jamie Dimon, criticou a investigação aberta pelo Departamento de Justiça contra o presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos), Jerome Powell, afirmando que a medida pode prejudicar justamente aquilo que Donald Trump supostamente deseja com a pressão sobre a autoridade monetária: baixar os juros.

Em teleconferência com jornalistas nesta terça-feira, 13 de janeiro, por conta da divulgação dos resultados do quarto trimestre do banco, Dimon afirmou que “qualquer coisa que prejudique” a independência do banco central “não é uma boa ideia”.

“Todas as pessoas que conhecemos acreditam na independência do Fed”, disse Dimon, segundo a Bloomberg. “Qualquer coisa que corroa isso provavelmente não é uma boa ideia. Na minha visão, terá o efeito inverso: elevará as expectativas de inflação e provavelmente aumentará as taxas de juros ao longo do tempo.”

Principal voz do sistema financeiro dos Estados Unidos, Dimon vem defendendo Powell e o Fed das tentativas de interferência de Trump, tanto publicamente quanto em conversas privadas com o presidente.

Dimon, que em outros momentos elogiou cortes de impostos e desregulações promovidos pelo governo Trump, afirmou em julho que “a independência do Fed é absolutamente crítica” e que “brincar com o Fed pode ter consequências adversas”.

Ainda que tenha defendido o Fed dos ataques de Trump, ele admitiu que não é o melhor fã da forma com que Powell está conduzindo a política monetária. “Quero dizer que não concordo com tudo o que o Fed fez”, afirmou Dimon. “Mas tenho enorme respeito por Jerome Powell como pessoa.”

Dimon se juntou a outros executivos do setor financeiro e reguladores para criticar a investigação criminal contra Powell. Mais cedo, os presidentes de 12 bancos centrais de outros países assinaram uma carta em apoio ao presidente do Fed.

Na carta, afirmam que a independência dos bancos centrais é “um pilar fundamental da estabilidade de preços, financeira e econômica, no interesse dos cidadãos que servimos”. Entre os signatários está o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo.

Ex-presidentes do Fed, como Alan Greenspan, Ben Bernanke e Janet Yellen, divulgaram na segunda-feira, 12 de janeiro, uma carta em que manifestam apoio a Powell, classificando a investigação como “tentativa sem precedentes” de minar a independência do Fed.

O Fed e Powell estão há tempos na mira de Trump, insatisfeito com a condução da política monetária. Desde setembro, o Fed reduziu os juros em apenas 0,75 ponto percentual, para a faixa de 3,5% a 3,75%.

Powell é alvo recorrente do presidente americano, que já o chamou de “idiota” e “teimoso” por não acelerar os cortes de juros. A avaliação é de que Trump e aliados buscam todos os pretextos possíveis para minar a independência do Fed. A reforma da sede da autoridade monetária é o caso mais recente.

O projeto, iniciado em 2022, tem custo estimado de US$ 2,5 bilhões, cerca de US$ 700 milhões acima do orçamento original. Trump tem usado esse aumento para acusar Powell de má gestão, chegando a visitar pessoalmente o canteiro de obras, gesto incomum para um presidente.

A abertura do inquérito levou Powell a se posicionar contra a Casa Branca, algo raro na história de quase 113 anos do Fed. Em vídeo postado no domingo, 11 de janeiro, ele disse que a investigação faz parte da campanha de Trump para pressionar por decisões favoráveis às suas políticas.

“Isto é sobre saber se o Fed será capaz de continuar a definir as taxas de juros com base em evidências e nas condições econômicas. Ou se, em vez disso, a política monetária será dirigida por pressão política ou intimidação”, afirmou