O volume de novos contratos, que alcançou R$ 4,9 bilhões em 2025, contribuiu de forma expressiva para que a JSL, companhia de logística do grupo Simpar, fechasse o ano com crescimento de 6,5% na receita, com R$ 9,6 bilhões.
O Ebitda ajustado foi de R$ 1,9 bilhão, alta de 7,7% sobre o ano anterior. A margem chegou a 20,5%, avanço de 1,8 ponto percentual sobre o volume registrado em 2024. Isto mesmo em um período com muitos desafios do ponto de vista financeiro, como uma taxa Selic a 15% ao ano na maior parte de 2025.
“Foi um ano de muita disciplina financeira e muita execução. Fizemos muitas readequações, principalmente no início do ano, e conseguimos recuperar as margens operacionais trimestre a trimestre”, diz Guilherme Sampaio, CEO da JSL, em entrevista ao NeoFeed.
A principal missão, segundo o executivo, foi em manter os contratos com o maior índice de rentabilidade possível e, nos novos, já com uma margem mais representativa ao custo de capital do período.
Sampaio assumiu a liderança da companhia no dia 1º de janeiro deste ano, no lugar de Ramon Alcaraz. Antes, ele ocupava a função de CFO e diretor de relações com investidores da JSL.
Do volume dos novos contratos da companhia, 71% vieram da própria base de clientes, e 29% como clientes efetivamente novos. Isso mostra, segundo o CEO, o avanço do modelo de entrega da empresa, agregando valor aos que já estavam sendo atendidos pela empresa.
Um dos setores que a companhia entrou, com este novo volume, foi o farmacêutico. “Isso é fruto da nossa decisão de criar uma estrutura comercial separada para novos negócios, justamente para olhar novos setores. Isso fez com que a gente tivesse esse volume expressivo oriundo desses clientes”, afirma Sampaio.
A perspectiva é de crescer de forma expressiva neste ano, a partir de contratos com novos players do setor, principalmente com a provável entrada no mercado brasileiro de canetas emagrecedoras similares, com o fim da patente do Ozempic (que tem a semaglutida como princípio ativo), da dinamarquesa Novo Nordisk, na sexta-feira, 20 de março.
Além de atendimento para a indústria farmacêutica, a empresa também cresceu na prestação de serviços ao setor aeroportuário e, principalmente, no e-commerce, sempre com atendimento no middle mile, com entregas para centros de distribuição.
“Há duas formas para adquirir conhecimento de algum setor, ou comprando empresa ou montando uma. No caso do segmento farmacêutico, a gente criou a infraestrutura. Trouxemos pessoas especialistas, adequou sistemas e fez as certificações necessárias”, explica.
Diferentemente, por exemplo, do comércio eletrônico, quando a empresa comprou a FSJ Logística, em julho de 2023, por R$ 108,6 milhões. Hoje, o e-commerce representa 7% da receita da JSL, saindo do zero, há três anos.
O setor de alimentos e bebidas lidera o ranking na empresa, representando 25% da receita. Depois vem papel e celulose, com 16%; automotivo, com 14%, bens de consumo, com 11%, e, também com 7%, químico, siderurgia e mineração.
A única linha “fora da curva” no ano foi em relação ao lucro líquido, explicado em parte pelo alto custo financeiro das operações. Neste quesito, a JSL alcançou R$ 147 milhões em 2025, uma queda de 22,7% sobre 2024.
“Por mais que a gente tenha conseguido reduzir o spread da dívida, um CDI a um patamar de 15% come o lucro. Não tem jeito”, afirma.
“Ainda assim, a gente conseguiu desalavancar a companhia em 0,4 vez. Esse é um objetivo claro, de desalavancar a JSL, trimestre a trimestre.” A empresa terminou 2025 com uma alavancagem de 2,9 vezes na relação dívida líquida sobre Ebitda.
Sampaio, no entanto, acredita em um ciclo de redução de juros, apesar do impacto causado pela guerra do Irã e dos Estados Unidos. “O governo tem feito esforço para colocar a taxa de juros na linha correta.” Segundo o CEO, cada um ponto percentual na taxa de juros afeta o lucro da JSL em R$ 40 milhões ao ano.
Também no ano passado a empresa tomou a iniciativa de deixar a operação logística de grãos, para justamente manter o foco em setores que garantam mais rentabilidade. Isso explica um pouco a queda de 1,5% na receita no quarto trimestre, ainda que tenha registrado alta no ano contra ano.
“Uma das minhas prioridades para este ano é seguir crescendo, mesmo com a saída de grãos. Hoje a gente segue com um volume pequeno no setor. Eu perdi um pouco de receita, mas ganhei margem operacional”, explica Sampaio. “Foi uma decisão por disciplina de rentabilidade.”
CNPJ separado para intralogística
O resultado positivo alcançado em 2025 consolida o próximo passo da companhia para seguir crescendo, que é a separação definitiva da unidade de armazenagem e logística interna, com a criação da Intralog, uma nova empresa que estará no guarda-chuva da JSL a partir de 1º de abril.
A Intralog, que hoje representa 20% do faturamento total da JSL (isso significa receita de cerca de R$ 2 bilhões), fechou o ano, ainda como uma unidade de negócios da companhia, com o maior crescimento entre as divisões, alcançando uma alta de 17%.
“A razão da conclusão deste processo de separação está no foco do setor. Os contratos estão vindo para esta nova empresa. Ter alguém pensando no crescimento o dia inteiro vai nos ajudar a buscar novos setores. Queremos mais agilidade e proximidade”, explica.
Com isso, o segmento de intralogística terá uma gestão independente, com um CNPJ diferente e um presidente (que ainda não foi anunciado), e que se reportará diretamente a Sampaio. Os números seguirão no balanço consolidado da JSL.
“Na história da empresa, vários negócios do grupo saíram da JSL, quando ela era ainda holding. Isso aconteceu com Movida e Vamos, por exemplo. O que a gente está vendo agora, no caso da Intralog, é o mesmo movimento”, explica.
Em dezembro de 2024, a JSL Digital também se transformou em uma unidade independente, e hoje representa um crescimento de 25% por trimestre. O segmento responde por 5% do total da receita.
A outra divisão, a JSL Serviços Dedicados, que compreende os modelos de agregados e terceiros, com motoristas autônomos, e o de frota própria, hoje representa 75% da receita da empresa. No ano, a unidade cresceu 8% em relação a 2024.
No acumulado de 12 meses, as ações da JSL na B3 registram valorização de 20%. A companhia está avaliada em R$ 1,9 bilhão.