Após alguns meses nos bastidores, a LWSA, companhia brasileira de tecnologia, está entrando definitivamente na disputa local por um terreno dominado por big techs americanas como Amazon Web Services (AWS), Microsoft e Google.

Por meio da Locaweb, um dos seus braços de atuação, a empresa acaba de anunciar o lançamento oficial da Locaweb Cloud, plataforma de infraestrutura na nuvem que chega ao mercado com o discurso de ser justamente uma alternativa 100% brasileira à oferta desses grandes rivais dos Estados Unidos.

“O racional é trazer uma solução que caiba no bolso do cliente brasileiro, seja ele um desenvolvedor, uma agência digital ou, principalmente, as pequenas e médias empresas”, afirma Pedro Braga, diretor de produtos tech da Locaweb, ao NeoFeed.

Segundo o executivo, há uma lacuna a ser explorada junto a esses perfis de clientes, que precisam evoluir do ponto de vista da adoção da computação em nuvem, mas que, em sua visão, não encontram opções adequadas às suas realidades no portfólio dessas gigantes de tecnologia.

“Conseguimos ter uma oferta entre 50% e 70% mais barata, com armazenamento e processamento de dados 100% no Brasil, baixa latência, suporte local e cobrança em real”, diz Braga. “E sem surpresas no fim do mês, ou seja, sem variação cambial, mudança de IOF, tarifação ou outros impostos internacionais.”

Com duas zonas de disponibilidade, a infraestrutura por trás dessa oferta inclui um data center próprio no bairro do Morumbi, zona sul de São Paulo, além de um segundo centro, de um parceiro não relevado, equipado com hardwares da Locaweb e usado como redundância.

O lançamento tem origem em um projeto interno, de modernização tecnológica da LWSA. Há cerca de dois anos, a empresa começou a investir em uma infraestrutura na nuvem para atender suas próprias operações – hoje, a própria Locaweb e a Tray, marcas do grupo, já rodam em cima dessa plataforma.

Curiosamente, esse também foi o caminho de boa parte das agora rivais americanas. O caso principal é a AWS criada para ser a infraestrutura por trás das operações da Amazon e que ganhou status de companhia, com ofertas “fora de casa”, em 2006.

No caso da LWSA, depois de entender que havia um espaço a ser explorado no mercado, a Locaweb começou a oferecer essa infraestrutura, sem fazer alarde, há cerca de seis meses. Desde então, cerca de 150 clientes já aderiram à oferta.

Braga ressalta duas avenidas na estratégia para escalar essa carteira. A primeira é explorar as vendas cruzadas na própria base da LWSA, bastante conhecida por sua atuação junto a esse perfil de cliente. A segunda é justamente capturar clientes que ainda não recorrem a esse expediente.

“Como a solução das big techs acaba sendo muito cara ou complexa, quem tem essa necessidade acaba adotando uma opção mais simples ou mantém essa estrutura dentro de casa”, diz. “Então, vai ter alguma intersecção com clientes das big techs, mas boa parte vai vir de quem eles não atendem.”

A LWSA não é o único player brasileiro disposto a embolar o meio de campo nessa disputa com as big techs dos Estados Unidos, um grupo que inclui ainda nomes como Oracle e IBM. No fim de 2023, o Magazine Luiza entrou nessa briga ao lançar a Magalu Cloud, sua oferta nesse espaço.

Dados da IDC traduzem um pouco do que está em jogo. Segundo a consultoria, o mercado brasileiro de infraestrutura como serviço, que inclui essas ofertas, vai movimentar US$ 4,4 bilhões em 2026, um salto de 18,5% sobre o ano passado.

“Nossa projeção é alcançar aproximadamente 1,8 mil clientes com essa oferta nos próximos cinco anos”, afirma Braga. “E dois dígitos em milhões de reais de receita”, complementa ele, que não revela o investimento realizado nesse projeto.

Nos dados públicos mais recentes, a LWSA apurou uma receita de R$ 1,1 bilhão de janeiro a setembro de 2025, alta de 10,1% sobre igual período de 2024. Nesse intervalo, a receita da divisão BeOnline/SaaS, da qual a Locaweb faz parte, teve ligeira retração de 0,6%, para R$ 313,6 milhões.