A Melnick fechou 2025 registrando o melhor desempenho de sua história e com planos para acelerar o crescimento a partir de 2026, tendo como catalisadores um novo segmento de mercado em que passa a atuar e a expansão para além do Rio Grande do Sul.

No ano em que pôde finalmente fazer a cerimônia que marca a abertura de capital, uma vez que a pandemia impediu o tradicional toque de campainha que marca o início da oferta pública de ações na B3, a incorporadora gaúcha registrou um lucro líquido recorde de R$ 112 milhões em 2025, alta de 57% ante 2024.

No quarto trimestre, a última linha do balanço somou R$ 34 milhões, estável em base anual, segundo o balanço divulgado na quarta-feira, 18 de março. Com os resultados, a Melnick fechou o ano passado com um retorno sobre patrimônio líquido (ROE) de 12,8%.

A receita líquida somou R$ 311 milhões nos últimos três meses do ano e R$ 1,1 bilhão no acumulado de 2025, baixa de 21,6% e alta de 9%.

Ao NeoFeed, o CEO da Melnick, Leandro Melnick, diz que os números de 2025 atestam a estratégia que a companhia se viu forçada a tomar nos últimos anos.

Em meio a um mercado mais complexo no Rio Grande do Sul, a companhia optou pelo conservadorismo nas operações e em sua estrutura de capital, para não abrir mão de remunerar o acionista, para o qual pagou um total de R$ 265 milhões em proventos no ano passado.

“Nesses cinco anos, apesar de questões que foram muito relevantes em Porto Alegre, como a crise que o Estado passou, a enchente, e a quebra de safras, que tornaram a cidade um dos mercados que mais sofreram por questões externas, conseguimos colocar nossa estratégia em curso”, afirma Leandro.

Ele destaca como exemplo dessa questão do conservadorismo o foco nas vendas de estoque, que no ano passado subiram 57% e 19% no quarto trimestre. O VSO líquido, a relação entre as vendas líquidas e a oferta, avançou dos 10% vistos no terceiro trimestre, para 18%.

Esta estratégia acabou batendo nos lançamentos. Em termos consolidados, houve um aumento de 7% no ano passado, para R$ 1,1 bilhão. Mas quando se olha especificamente para as operações em Porto Alegre, que ainda responde pela maior parte dos resultados, os lançamentos recuaram 15%, para R$ 930 milhões em 2025.

Apesar da cautela, a Melnick conseguiu bons resultados na parte comercial. As vendas líquidas totais aumentaram 11% ante 2024, para R$ 927 milhões, e mais do que dobraram no quarto trimestre, para R$ 325 milhões, indícios de que a economia do Rio Grande do Sul começou a se recuperar e que o pior ficou para trás.

Ainda que os resultados façam a Melnick voltar a realizar lançamentos em Porto Alegre, a companhia está expandindo sua atuação para além do segmento voltado à classe média e alta da capital gaúcha, para não ficar mais dependente da saúde do seu mercado principal.

Uma das iniciativas é a entrada no segmento do Minha Casa Minha Vida, com o lançamento da Open Construtora, no fim do ano passado. Focada na faixa três do programa habitacional do governo federal, voltada para famílias com renda bruta mensal entre R$ 4,7 mil e R$ 8,6 mil em Porto Alegre, mas com planos de eventualmente lançar empreendimentos mais baratos logo acima dessa faixa.

A unidade já conta com um VGV de cerca de R$ 196 milhões, com dois em construção e planos para lançar outros cinco, com plano de ser a maior incorporadora do segmento, num VGV em torno de R$ 350 milhões ao ano.

Além de ser um mercado aquecido, Melnick destaca que a companhia decidiu avançar após conseguir criar um landbank capaz de fazer a conta fechar na cidade que melhor conhece.

“Temos uma equação que me agrada bastante, porque são projetos grandes, dentro de Porto Alegre. Temos um land bank contratado para os próximos anos, sem o risco de quem opera nesse segmento, de ter o VGV dividido em muitas cidades”, diz.

Outra frente que pretende acelerar é a das parcerias com incorporadoras de outros Estados. A primeira iniciativa aconteceu no começo de 2025, com a Even, para desenvolver um condomínio de alto padrão no bairro da Vila Madalena, em São Paulo.

Em maio, a Melnick firmou uma joint venture com a Yuny para desenvolver empreendimentos de alto padrão na capital paulista. Neste caso, o acordo prevê que a incorporadora paulista terá de oferecer todos os seus projetos para a Melnick de forma prioritária.

Foram estes acordos que garantiram a alta de 7% das vendas da Melnick no ano passado. Junto com a Open, as parcerias são vistas como catalisadoras de crescimento daqui para frente.

“Somando, deve dar praticamente pouco menos de R$ 450 milhões de lançamentos da Open e dos lançamentos em São Paulo, fazendo com que cerca de 35% da atuação da Melnick em 2025 tenha ocorrido em mercados novos”, diz Melnick.

O início do novo ciclo de expansão não fará a Melnick abrir mão da distribuição de dividendos, mesmo com os planos de investimentos. No quarto trimestre, a incorporadora registrou dívida líquida de R$ 408 milhões ao final de 2025, depois de registrar caixa líquido de R$ 104,5 milhões no quarto trimestre de 2024.

Melnick diz que o endividamento sobre o patrimônio líquido consolidado fechou o ano em torno de 26% e a expectativa é de que a geração de caixa prevista com os novos projetos ajude a conciliar investimentos e dividendos, mantendo a dívida controlada.

“A dimensão de quanto vamos pagar de dividendos daqui para frente pode ser ajustada”, diz Melnick. “Se conseguirmos ter boas oportunidades de crescimento, vamos regulando as duas variáveis [investimentos e dividendos].”

As ações da Melnick fecharam o pregão com queda de 0,55%, a R$ 3,63. Em 12 meses, os papéis acumulam queda de 10,4%, levando o valor de mercado a R$ 743,2 milhões.