O GPA, dono das redes de supermercados Pão de Açúcar e Extra, anunciou, em fato relevante, nesta quinta-feira, 5 de fevereiro, Pedro Vieira Lima de Albuquerque como seu novo CFO.
O movimento ocorre em meio a um processo de mudanças no Grupo Pão de Açúcar, que atravessa um dos períodos mais turbulentos de sua história recente, marcado por mudanças na gestão, reestruturação operacional e rearranjos relevantes em sua governança – há um mês, o GPA anunciou novo CEO, Alexandre de Jesus Santoro.
A chegada de Pedro Albuquerque ao GPA reforça o objetivo do grupo de buscar nomes experientes do mercado para lidar com a crise. Albuquerque trabalhou por mais de 10 anos na Kraft Heinz, como CFO para Ásia e Pacífico, presidente da operação do Sudeste Asiático, Planejamento Global e, posteriormente, CFO da América do Norte.
Entre 2009 e 2014, atuou na América Latina Logística (atual Rumo Logística), liderando as áreas de Tesouraria, Planejamento Financeiro, Novos Negócios e Relação com Investidores. Também integrou conselhos de subsidiárias dessas companhias, além de ter sido conselheiro da Lucta Flavors and Fragrances.
Ele vai ocupar cargo que era ocupado por Rafael Sirotsky Russowsky, que chegou a exercer a presidência interina do GPA após a saída de Marcelo Pimentel em 2025. Russowsky também é diretor de relações com investidores.
A crise no GPA ganhou contornos mais nítidos com a renúncia de Marcelo Pimentel, em outubro de 2025, após atritos internos e pressões decorrentes do fraco desempenho financeiro da companhia, abrindo caminho para uma fase de transição conduzida interinamente por Russowsky.
A saída de Pimentel no ano passado, por sinal, simbolizou o fim de um ciclo e expôs a urgência de ajustes estruturais, em um momento em que o grupo varejista buscava recuperar competitividade e recompor margens pressionadas. Em meio a esse cenário, o GPA contratou a consultoria americana Alvarez & Marsal, especializada em reestruturações corporativas, para apoiar a execução de um plano de eficiência iniciado em novembro do ano anterior.
O programa prevê cortes superiores a R$ 700 milhões em despesas, com foco em simplificação organizacional, revisão de contratos, otimização logística e racionalização do portfólio de lojas, refletindo a necessidade de respostas rápidas a um ambiente operacional adverso.
Paralelamente, a governança do grupo passou por recomposição significativa. Em janeiro, foram eleitos para o conselho de administração Carlos Augusto Reis de Athayde Fernandes e Eleazar de Carvalho Filho, dois nomes que reforçam a disputa por influência no comando da varejista.
Fernandes é ligado à holding de Silvio Tini, investidor que ampliou sua participação no GPA até atingir 10% do capital no fim de 2025, movimento que alterou o equilíbrio entre os acionistas relevantes e elevou a pressão por mudanças estratégicas. Já Carvalho Filho é reconhecido por sua proximidade histórica com o grupo francês Casino, antigo controlador do GPA, representando uma corrente mais alinhada à gestão tradicional da companhia.
A chegada desses conselheiros ocorre em um momento em que a família Coelho Diniz já havia se consolidado como maior acionista, redesenhando o mapa de poder interno.
O conselho encerrou a fase de interinidade no mês passado ao eleger Santoro como novo CEO, executivo com experiência em operações de alimentação e redes de serviços, responsável por conduzir a empresa em um ambiente de forte competição e necessidade de disciplina de capital.
Sua nomeação simboliza o esforço de estabilização após meses de incertezas, ao mesmo tempo em que o GPA tenta equilibrar interesses de acionistas com visões distintas sobre o futuro da companhia.
Recuperação gradual
O GPA encerrou 2025 mostrando sinais de recuperação gradual, embora ainda operando sob forte pressão competitiva no varejo alimentar.
No segundo trimestre de 2025, a companhia reduziu o prejuízo líquido para R$ 216 milhões, queda de 35% na comparação anual, impulsionada por melhor desempenho operacional e pelo efeito sazonal da Páscoa, que elevou o volume de vendas no período.
Já no terceiro trimestre, o GPA voltou ao lucro, com R$ 137 milhões, embora o Ebitda tenha ficado abaixo das expectativas e a receita tenha crescido apenas 1,4%, sinalizando demanda ainda fraca e ambiente promocional mais intenso.
Mesmo assim, o grupo registrou crescimento de 4,1% em vendas mesmas lojas e manteve liderança no e commerce alimentar. No contexto de mercado, o GPA segue atrás de concorrentes como Carrefour e Assaí em escala e rentabilidade, mas tenta preservar relevância no segmento premium e de proximidade, áreas onde ainda detém participação expressiva e marca forte, especialmente no Sudeste.