A divulgação dos resultados do quarto trimestre e do ano de 2025 da Orizon serviu tanto para o mercado avaliar a situação individual da companhia como analisar os números combinados com os da Vital Engenharia, após o M&A anunciado em dezembro do ano passado.

Se o mercado tinha dúvidas do resultado da fusão entre as empresas de utilities, Bank of America (BofA), XP Investimentos e UBS BB escreveram relatórios positivos na quinta-feira, 26 de março, para a nova empresa do mercado de resíduos.

O Ebitda ajustado reportado de R$ 134 milhões no quarto trimestre, embora tenha vindo em linha com as projeções, foi o componente para consolidar uma visão pro forma.

Em 2025, a combinação das duas empresas teria alcançado um Ebitda de aproximadamente R$ 1 bilhão, elevando a Orizon a um novo patamar de relevância e escala operacional.

Um dos pontos de maior destaque foi o perfil conservador do endividamento trazido pela Vital, que encerrou o ano com uma dívida líquida de R$ 26,4 milhões na visão ajustada por propriedade, o que representa uma alavancagem quase nula de 0,1 vez (x).

No consolidado, a relação entre dívida líquida e Ebitda da plataforma combinada ficou em 1,2x, um nível que permite à companhia continuar sua jornada de consolidação sem pressionar sua estrutura de capital.

Nas palavras de Gustavo Faria e André Silveira, analistas do Bank of America, essa “estrutura financeira reforça significativamente a escala da plataforma combinada, especialmente em um cenário onde o processo de fusão deve ser totalmente concluído até o terceiro trimestre de 2026”.

A solidez do balanço também se estende para a capacidade de investimento. O Capex da Orizon atingiu R$ 155 milhões no último trimestre de 2025, direcionado majoritariamente para o desenvolvimento de infraestrutura de biogás e biometano, como a planta de Jaboatão, que marca uma fase de transição para a exploração de novas avenidas de receita.

Giuliano Ajeje, do UBS BB, afirma que a “visão positiva sobre o caso é fortalecida pelas entregas sólidas e pela execução consistente da Vital, descrevendo o segmento de destinação final como uma geradora de caixa resiliente e estratégica”.

Mesmo o lucro líquido de R$ 23 milhões no trimestre, que sofreu o impacto não recorrente de R$ 15 milhões em custos de estruturação de pré-pagamentos de dívidas, não abalou a confiança dos analistas na lucratividade futura da operação.

A tese de investimento ganha um reforço no relatório da XP. Raul Cavendish e Bruno Vidal afirmam que a Orizon é “uma daquelas oportunidades de investimento únicas que surgem uma vez a cada década, destacando a combinação de liderança em um setor fragmentado com um time de gestão capaz de executar alocações de capital altamente acionárias”.

Para a XP, a empresa está nas etapas iniciais de uma transformação profunda no setor de gestão de resíduos, com potencial para capturar um crescimento exponencial através da monetização de biometano e créditos de carbono, frentes que já começaram a mostrar recorrência no balanço de 2025.

O banco projeta um crescimento anual composto (CAGR) do Ebitda de 19% entre 2026 e 2031, posicionando o papel ORVR3 com um preço-alvo de R$ 97,50 e uma taxa interna de retorno real de 14%.

Contexto da fusão

A incorporação da Vital Engenharia por R$ 3 bilhões foi o movimento que permitiu à Orizon dobrar sua capacidade e diversificar geograficamente sua atuação, transformando-se em uma "waste champion".

Naquela época, a dúvida era se a integração de um ativo de tamanho similar seria feita sem sobressaltos; hoje, os analistas confirmam que a execução tem sido impecável.

Os analistas do BofA reiteram a recomendação de compra com preço-alvo de R$ 90, vendo a companhia como a grande beneficiária da formalização do mercado de lixo no Brasil. Eles destacam o forte poder de precificação da empresa, que elevou a tarifa média de gate-fee (valor cobrado pelo uso de um ponto de serviço) para R$ 84,8 por tonelada no trimestre, superando a inflação do período.

O UBS BB segue a mesma linha, com preço-alvo de R$ 92, ancorado em múltiplos de avaliação que ainda não refletiriam todo o potencial de geração de valor das sinergias da fusão.

O consenso entre os três bancos é que a Orizon deixou de ser uma promessa de crescimento para se tornar um porto seguro de rentabilidade e escala. Para os analistas, a "Nova Orizon" que emergiu da fusão com a Vital é a régua pela qual todo o setor de saneamento e valorização de resíduos será medido nos próximos anos.

Na B3, a ação ORVR3 acumula alta de 53,8% em 12 meses, mas neste ano o papel recua 5,2%. O valor de mercado da companhia é de R$ 6,3 bilhões.