Depois de atravessar um dos períodos mais difíceis desde a fundação do Grupo Madero, marcados por expansão acelerada, pandemia, endividamento e ajustes, Junior Durski inicia 2026 apostando em um cardápio que vai além dos hambúrgueres.

O Madero, que encerrou 2025 com lucro líquido de R$ 103,2 milhões, receita bruta de R$ 2,3 bilhões (recorde da companhia) e Ebitda ajustado de R$ 596 milhões, com margem próxima de 29%, está preparando um combo de negócios que contém empanadas, empório, restaurantes combinados, dark kitchens embutidas nas operações e até a estreia internacional no Paraguai.

“Surgiu uma oportunidade muito boa em Ciudad del Este. Vamos testar, aprender e ver o que o desempenho nos entrega antes de pensar em algo maior”, afirma Durski, em entrevista ao NeoFeed.

O primeiro Madero internacional será inaugurado na primeira semana de fevereiro por meio de uma parceria com o shopping China Importados, um centro de compras com 20 setores divididos em 33 mil metros quadrados.

O balanço da empresa publicado após o fechamento do mercado de quinta-feira, 29 de janeiro, mostra uma empresa que fez a lição de casa e conseguiu se desalavancar - o que põe fim ao ciclo de ajustes e abre, novamente, a estratégia de crescimento com novos formatos de operação.

O grupo encerrou 2025 com dívida líquida de R$ 749 milhões, para uma alavancagem de 1,28 vez do Ebitda - mesmo após a distribuição de R$ 260,5 milhões em dividendos e juros sobre capital próprio.

Ao longo do ano passado, foram investidos R$ 246,6 milhões em capex, principalmente na abertura de restaurantes, conversões de formato e melhorias operacionais.

Hoje, a rede soma 355 unidades em operação, entre Madero Steak House, Madero Burger, Jeronimo e outros conceitos.

Em busca da eficiência

A principal engrenagem dessa nova fase é o chamado modelo híbrido, que combina operações do Madero Burger e do Jeronimo em um mesmo ponto comercial, compartilhando cozinha, equipe e infraestrutura.

Em 2025, esse formato apresentou crescimento de 11,7% nas vendas, quando comparado ao desempenho das mesmas unidades antes da conversão. Segundo Durski, o ganho vem da possibilidade de ampliar receita sem elevar custos fixos.

“Você não aumenta equipe, não aumenta aluguel, não muda a despesa. Só aumenta a venda”, afirma o fundador e CEO do Madero.

A estratégia se desdobrou nos restaurantes combinados, um formato que ganhou força no plano de expansão do grupo.

Ao contrário do modelo híbrido, onde Madero e Jeronimo estão no mesmo espaço, o combinado se caracteriza pela operação das duas marcas ficarem lado a lado, com produção centralizada.

Isso permite reduzir o investimento por loja e elevar a margem operacional. “Um restaurante Madero custa R$ 5 milhões e um Jeronimo, R$ 4 milhões para construir”, diz Durski.

“O que antes custava quase R$ 9 milhões para construir separado, hoje sai por cerca de R$ 6 milhões quando fazemos combinado”, complementa.

A eficiência também aparece no delivery, que deixou de ser um canal complementar do negócio. Em 2025, 20,7% da receita do grupo veio das entregas, enquanto os canais digitais responderam por 56,3% do faturamento dos restaurantes.

O crescimento foi sustentado pela expansão de dark kitchens instaladas dentro das próprias unidades, evitando estruturas exclusivas para entrega.

“Não faz sentido ter uma operação só de delivery. A equipe é a mesma, o custo é o mesmo. Quando você usa o restaurante que já existe, o delivery vira venda incremental”, diz Durski.

Mas entre todas as apostas, nenhuma ganhou tanto protagonismo quanto as empanadas artesanais. O produto passou a integrar o cardápio das marcas do grupo e se mostrou adequado ao consumo fora do salão.

Segundo Durski, a projeção é que a receita com as empanadas supere R$ 12 milhões este ano e R$ 18 milhões em 2027, especialmente no delivery.

A projeção leva em consideração a criação do Empório Madero & Empanadas, inaugurado em dezembro, em Curitiba, um novo formato que deve chegar a nove unidades neste ano na capital paranaense.

A ideia é reunir pratos prontos, carnes porcionadas, molhos, produtos congelados e empanadas - todos com a assinatura Madero -, com foco em conveniência.

“O empório tem uma margem muito boa e um potencial enorme de expansão. É um negócio que nos permite crescer sem inflar custo”, diz o empresário.

A estratégia inicial prevê o amadurecimento do modelo ao longo de 2026 antes de uma expansão mais acelerada a partir de 2027.