A conta que o Banco Master deixou para o sistema financeiro vai ficar ainda maior diante da decisão do Banco Central (BC) de liquidar o will bank, um ativo que até então estava fora do processo de liquidação.
Segundo a decisão divulgada na manhã de quarta-feira, 21 de janeiro, a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento decorre “em razão do comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master”.
A autoridade monetária entendeu que uma solução que preservasse o funcionamento do will bank se mostrou inviável após o descumprimento, pela fintech, dos pagamentos dos serviços prestados pela Mastercard.
A empresa de cartões executou garantias ligadas às dívidas da fintech, o que fez com que passasse a deter participação na Westwing. A empresa de cartões passou a deter uma fatia de 31,87% na empresa de decoração.
O will bank tinha sido deixado de fora do processo de liquidação do Master, decretado em novembro, operando sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET), enquanto se decidia sobre o seu futuro.
Conforme apurou o NeoFeed em outubro, o Master contratou a Laplace para assessorar a venda. Dentre nomes que apareciam como interessados, o Mubadala, fundo soberano de Abu Dhabi, era tido como favorito na disputa, segundo reportagens sobre o caso.
Com a decretação da liquidação do will bank, a conta que ficou para o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) ficou ainda maior. Sem a fintech, o fundo vai arcar com um rombo de cerca de R$ 40 bilhões.
O will bank conta atualmente com cerca de R$ 6,5 bilhões em depósitos a prazo, segundo dados do BC até setembro do ano passado. O valor exato de quanto o FGC terá de arcar não é certo, considerando o limite de pagamento por CPF, estabelecido em R$ 250 mil.
O Master comprou o will bank em 2024, fintech voltada para o público das classes C, D e E, como forma de crescer no segmento de varejo, em que atuava com crédito consignado, especialmente através do Credcesta.
A intenção era integrar os dois produtos, de olho num público de 10,5 milhões de pessoas. Para isso, em janeiro do ano passado, o Master realizou uma injeção de R$ 2 bilhões em seu capital.