A tese de investimento da Eneva está prestes a ganhar força diante da necessidade de reforçar a oferta de energia no sistema elétrico brasileiro para compensar a intermitência das matrizes solar e eólica e a menor geração de eletricidade no período da noite.
A avaliação é do UBS BB, que elevou a recomendação para as ações da geradora de energia a partir do gás natural. O papel ENEV3 passou de neutro para compra e seu preço-alvo foi ajustado de R$ 16 para R$ 27. O novo valor representa um upside de quase 30% sobre o preço atual de tela de R$ 20,8.
“O sistema elétrico brasileiro está entrando em uma fase em que a capacidade despachável é estruturalmente necessária, impulsionada pela crescente volatilidade da carga líquida, pela saturação solar ao meio-dia e pela necessidade de rápida aceleração da geração à noite”, diz trecho do relatório assinado pelos analistas Giuliano Ajeje, Henrique Simões e Matheus Enfeldt.
Para eles, esse cenário aumenta a dependência do sistema por termelétricas, para suportar a oferta de energia ao longo do dia. Por isso, os analistas do UBS BB demonstram otimismo em relação ao leilão de reserva de capacidade, previsto para 18 de março.
Segundo os especialistas, a Eneva se destaca como uma das poucas empresas capazes de converter capacidade em megawatts efetivos. Como uma empresa verticalmente integrada, a avaliação é de que a companhia tem vantagens de custo de transporte de gás em relação à maioria.
Um bom desempenho no leilão é visto como principal catalisador para a Eneva, consolidando a avaliação do UBS BB de que a tese da companhia se transformou. “O que antes era uma história de recontratação e preservação de capital agora é uma opção orientada a eventos em relação à precificação e entrega da capacidade”, diz trecho do relatório.
Os analistas calculam que a Eneva poderá contratar os ativos no leilão ao preço de R$ 275 por megawatt-hora (MWh). Eles destacam que o preço utilizado de referência por analistas para a concorrência, do único leilão de capacidade realizado no país, em 2021, corrigido pela inflação, é de R$ 130 por MWh.
No entanto, eles entendem que esse valor é muito baixo para remunerar os investimentos, considerando que os preços das turbinas mais do que dobraram, os juros estão na casa dos dois dígitos e o câmbio está em patamares elevados.
Além disso, o número de projetos que podem ser realisticamente concluídos dentro do prazo exigido pelo leilão é baixo, o que deve ajudar a forçar os preços para cima, segundo os analistas do UBS BB.
“Nesse nível [de R$ 275 MWh], a Eneva é capaz não apenas de renegociar os contratos dos ativos existentes, mas também de justificar economicamente a expansão em novas instalações, particularmente da Celse”, diz trecho do relatório.
Este cenário fez os analistas do UBS BB elevarem a projeção para o Ebitda de 2030 em 71% em relação ao que esperavam, para R$ 12,7 bilhões. O mesmo movimento ocorreu com a receita e o lucro líquido, que subiram em 69% e 64%, para R$ 20,3 bilhões e R$ 6,1 bilhões, respectivamente.
Por volta de 11h35, as ações da Eneva subiam 4,28%, a R$ 21,70. Em 12 meses, os papéis registram alta de quase 83%, levando o valor de mercado a totalizar R$ 41,9 bilhões.