A Viveo decidiu mudar de comando no momento em que começa a colher os resultados do turnaround iniciado em 2023. A partir de 15 de janeiro de 2026, André Clark, ex-Siemens Energy, assume o cargo de CEO no lugar de Leonardo Byrro, que deixa a cadeira após quase nove anos à frente da companhia.

A escolha de Clark foi feita diretamente pelo conselho de administração, que tem como presidente Mario Sérgio Cunha Ribeiro, cofundador e sócio na DNA Capital - a gestora faz parte do grupo de controle e detém pouco mais de 37% das ações VVEO3. Com ajuda da headhunter Cidinha Fonseca, os conselheiros avaliaram as indicações e conduziram as entrevistas - Byrro também fez parte desse processo.

Clark, de 54 anos, construiu carreira em ambientes industriais e de infraestrutura de alta complexidade, com passagens por Siemens Energy, Acciona, Votorantim Cimentos, Camargo Corrêa e a consultoria Booz Allen. Para os conselheiros, esse perfil é o mais adequado para um ciclo em que o foco passa a ser execução de processo e busca por eficiência.

Segundo apurou o NeoFeed, a transição é tratada como a conclusão de ciclo e não uma ruptura de gestão. Byrro e o conselho vinham discutindo a sucessão desde o início deste ano. A percepção era de que a empresa estava entrando no timing correto para uma mudança na liderança com a fase final do processo de recuperação e de desalavancagem.

Sob o comando de Byrro, a companhia passou de distribuidora hospitalar para um ecossistema integrado, com mais de 25 aquisições, IPO em 2021, follow-on em 2023 e uma profunda reorganização operacional.

A partir de 2026, a fabricante e distribuidora de materiais e medicamentos para hospitais, clínicas e laboratórios estará menos centrada em integração de aquisições e reorganização logística, e mais focada em eficiência, rentabilidade e captura de ROIC (retorno sobre o capital investido).

O atual CEO seguirá na empresa até o fim de março, em um período de transição ao lado de Clark. Ele não vai migrar diretamente para o conselho. Como a próxima eleição do board acontecerá em abril, essa discussão ficou aberta e será definida após a saída dele do dia a dia do negócio.

Após o resultado do terceiro trimestre da Viveo, ficou claro que “esse era o momento certo para oxigenar a gestão sem descontinuar a agenda”. Não estão previstas, neste momento, qualquer mudança no C-Level da companhia.

A troca de liderança vai ocorrer em meio à melhoria de boa parte dos números da companhia. No terceiro trimestre, a Viveo registrou uma margem bruta de 14,7%, o maior nível desde 2023; um Ebtida ajustado de R$ 172,9 milhões, alta de 13,1% sobre o mesmo período do ano anterior; e reverteu o prejuízo com um lucro líquido de R$ 226,9 milhões.

Esses resultados, reforçados por uma expectativa interna positiva para o quarto trimestre, ajudam a promover a transição em “momento de curva ascendente” - a alavancagem estava em 4,17 vezes no fim de setembro, um processo que vem acontecendo nos últimos trimestres para chegar em 3,5x em junho do próximo ano e cumprir as metas de covenants de sua dívida.

Em relatório publicado no início de dezembro, o Santander reiterou sua confiança no processo de recuperação operacional da Viveo. Os analistas Caio Moscardini e Eyzo Lima elevaram a recomendação da Viveo de underperform (o equivalente a venda) para neutra, ressaltando sua crença de que o “pior já passou”.

No ano, a ação VVEO3 acumula queda de 19,9%, enquanto o Ibovespa sobe 32%. A Viveo tem valor de mercado de R$ 520 milhões.