Brasília – Em mais um capítulo dos escândalos envolvendo o caso Master, a Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira, 4 de março, a terceira fase da operação “Compliance Zero”, que prendeu novamente Daniel Vorcaro e trouxe à tona um grupo de mensagens por meio do qual o banqueiro mandava ameaçar ou intimidar opositores.

As investigações da PF apuram a “possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa”.

A operação também revelou uma estrutura chamada de “A Turma”, por meio da qual Vorcaro dava ordens para intimidações, perseguições e monitoramento ilegal de possíveis opositores ou considerados adversários, além da obtenção de informações sigilosas de órgãos como Polícia Federal, Ministério Público Federal e até mesmo do FBI.

Em uma das conversas, revelada na decisão de Mendonça, Vorcaro determina um assalto ao jornalista Lauro Jardim, após a publicação de notícias contrárias ao banqueiro e seus negócios. “Quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto.”

Em outra ameaça, que consta das mensagens desse grupo de celular, Vorcaro ordena a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão – conhecido como “Felipe Mourão”, seu encarregado de operacionalizar essa rede de vigilância privada de desafetos e opositores – que investigue até uma empregada de nome Monique.

“DV [Daniel Vorcaro]: Empregada Monique me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda.” E pede para que Mourão puxe “endereço, tudo” de sua empregada.

A decisão de Mendonça ainda traz mensagens de WhatsApp enviadas por Fabiano Zettel a Vorcaro sobre o pagamento a um servidor do BC, Belline Santana, que era chefe do Departamento de Supervisão Bancária. Zettel pergunta a Vorcaro: “Hoje tem que pagar a primeira do Belline, ok?”. O banqueiro autoriza. E ainda em outro texto, Zettel volta a Vorcaro: ““Belline cobrando. Paga?”. Vorcaro então responde: “Claro”.

A operação policial foi determinada por decisão do ministro André Mendonça, novo relator no Supremo Tribunal Federal (STF), após Dias Toffoli abandonar o caso Master. O cunhado de Vorcaro, o pastor Fabiano Zettel, também foi alvo de mandado de prisão, mas ainda não foi encontrado.

De acordo com os achados da PF, o esquema era formado por quatro núcleos principais de atuação: o financeiro, que estruturava fraudes contra o sistema financeiro; o núcleo de corrupção institucional, voltado à cooptação de servidores públicos do Banco Central; um núcleo de “ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro, com utilização de empresas interpostas”; e um último de “intimidação e obstrução de Justiça”, responsável pelo monitoramento ilegal de adversários, jornalistas e autoridades.

A PF também investiga o suposto uso de funcionários do Banco Central para informar Vorcaro sobre ações regulatórias da autoridade monetária relacionadas ao caso. O banqueiro foi preso pela primeira vez em novembro do ano passado, após suposto esquema envolvendo fraudes estimadas em R$ 12 bilhões entre o Master e o BRB. Posteriormente, seu banco foi liquidado pelo BC.

“As investigações também apontam que DANIEL BUENO VORCARO manteve interlocução direta e frequente com servidores do Banco Central do Brasil responsáveis pela supervisão bancária, discutindo temas relacionados à situação regulatória da instituição financeira e encaminhando documentos e minutas destinados à autarquia supervisora para análise prévia”, diz trecho da decisão de Mendonça.

(Texto em atualização)