Em meio às críticas sobre a falta de unidade no campo da centro-direita para disputar a eleição presidencial contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e se apresentar como alternativa ao bolsonarismo, os governadores Ratinho Jr. (PSD-PR), Romeu Zema (Novo-MG), Ronaldo Caiado (PSD-GO) e Eduardo Leite (PSD-RS) buscaram mostrar que, ao menos na agenda de propostas, estão alinhados.
O quarteto – cada um com pretensões de se lançar candidato à Presidência – demonstrou compromisso com uma pauta reformista e de controle das contas públicas, apostando que essa agenda pode conquistar um público cansado da polarização e, sobretudo, do Partido dos Trabalhadores (PT).
“Existe um barulho dentro das redes sociais, esquerda, direita, essa troca de farpas, que não chega à boa parte da população”, disse Ratinho Jr., governador do Paraná, na quarta-feira, 28 de janeiro.
“Eu penso que o brasileiro está de saco cheio desse ambiente de polarização que só interessa a dois ou três”, complementou ele durante a Latin America Investment Conference (LAIC) 2026, promovida pelo UBS e UBS BB.
Sob pressão da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para enfrentar Lula, os governadores entendem que há espaço a ser ocupado no eleitorado de centro, rompendo a polarização.
“O sentimento que percebemos é que muita gente vota no Lula para evitar o Bolsonaro, muita gente vota no Bolsonaro para tirar o Lula, mas não fica feliz com o voto”, disse Leite.
Diante dessa situação, segundo o governador gaúcho, há um sentimento de “compatibilização de projetos” entre os governadores, em torno de uma proposta comum.
“Houve um desprendimento do Caiado, que veio para um partido com dois pré-candidatos, que o estão acolhendo, porque não se trata da nossa aspiração individual como políticos, mas da aspiração como brasileiros de dar rumo ao Brasil. Isso é muito maior do que ocupar um espaço de poder”, afirmou Leite.
Esse projeto comum, no campo econômico, prevê ajuste fiscal e reformas, como uma nova versão da Previdência e uma reforma administrativa, para melhorar a eficiência e reduzir o peso estatal.
“Vamos receber um País em 2027 como foi no segundo mandato de Dilma, um colapso completo. O próximo presidente terá que ter coragem de adotar medidas austeras para não desencantar ainda mais o empresariado e o investidor”, disse Caiado.
As reformas propostas pela centro-direita também incluem reequilibrar a relação entre os Três Poderes, pacificando o ambiente institucional. “O atrito entre Poderes é negativo, porque, em vez de elaborarmos um plano para o futuro, ficamos nessa eterna guerrinha, que trava a engrenagem”, afirmou Zema.
Entre as propostas dos governadores está uma reforma política, com a implementação do voto distrital, o fim da reeleição e limites para os mandatos dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Apesar da intenção de pacificar os ânimos entre os Poderes, com cada um atuando dentro de seu espaço, o governador de Minas Gerais disse que o atual Supremo “é o pior da história”, afirmando que há uma inversão de valores, como demonstrado pela ideia de criar um Código de Conduta.
Quem será o candidato a unir a centro-direita ainda não está definido. Apesar de sinalizar unidade, Zema já afirmou que pretende manter sua candidatura. No caso de Ratinho, Caiado e Leite, tudo dependerá de uma decisão do PSD. “Vamos esperar para ver quando o [presidente do partido, Gilberto] Kassab vai colocar a fumacinha branca”, disse Caiado.
Embora a ideia seja disputar a eleição com uma agenda capaz de atrair públicos que, nos últimos anos, se dividiram entre petismo e bolsonarismo, a inclinação para o lado direito da balança política faz com que as críticas sejam mais incisivas a Lula do que a Bolsonaro.
Alguns já deixaram claro que, se alguém do grupo não vencer, a estratégia será seguir contra Lula e o PT. “Qualquer candidato que for contra o PT terá o meu apoio, assim como foi na eleição passada”, afirmou Zema.