Quando Marcelo Sampaio entrou no universo das criptomoedas, o mato era muito alto. “Era mato mesmo”, brinca o cofundador e CEO da Hashdex, gestora que conta atualmente com aproximadamente R$ 8 bilhões sob gestão (esse número varia bastante em função da cotação do bitcoin e de outras moedas digitais).

O projeto ganhou escala internacional ao se unir à Nasdaq, referência global em tecnologia e inovação, criando um índice que é uma espécie de “Ibovespa do mundo cripto”. “A Nasdaq entendeu a oportunidade, checou todo mundo e acabou fechando com a empresa do Leblon”, diz Sampaio, em entrevista ao Café com Investidor, programa do NeoFeed, que entrevista os principais investidores do Brasil.

O índice criado em parceria com a bolsa americana tornou-se referência mundial, permitindo que qualquer gestora replicasse a estratégia de investimento passivo em criptoativos. Agora, a Hashdex está dando um novo passo.

A bolsa de Chicago (CME), maior bolsa de derivativos do planeta, acaba de anunciar o lançamento de contratos futuros baseados no índice desenvolvido pela gestora brasileira em parceria com a Nasdaq. “É uma notícia que muda tudo. Cripto agora não é mais só bitcoin ou ethereum, é uma classe de ativos”, afirma Sampaio.

O movimento, na visão de Sampaio, é um divisor de águas para o setor, que ganha legitimidade e abre espaço para produtos estruturados e estratégias sofisticadas, antes restritas ao mercado tradicional. “A maior bolsa de derivativos do mundo está dizendo: agora cripto é relevante, tem índice próprio e vai ter futuros e opções. Isso institucionaliza de vez o setor”, afirma o cofundador da Hashdex.

O desafio da Hashdex, bem como de todo o mercado cripto, é enfrentar a alta volatilidade de seus ativos. Neste ano, o bitcoin acumula queda de quase 16%. Em 12 meses, a desvalorização é de mais de 26%. A cotação da moeda digital está acima de US$ 73 mil, patamar mais baixo desde novembro de 2024 – e longe da maior cotação da história, de US$ 123 mil, em agosto de 2025.

Apesar da alta volatilidade, Sampaio defende que cripto é um ativo estratégico para qualquer portfólio. “A diferença do remédio para o veneno está na dose. O conservador deveria ter pelo menos 5% de cripto no longo prazo”, afirma.

Sampaio lembra que o HASH11 já rendeu mais de 100% e chegou a cair quase 70% em determinados momentos. “Cripto remunera muito bem o investidor paciente. Volatilidade não é ruim, é sinal de que o ativo vale alguma coisa relevante. A oportunidade está justamente nisso”, diz.

Nesta entrevista, que você assiste no vídeo acima, Sampaio explica sua tese, fala sobre o avanço da regulação do mundo cripto, conta se está comprado ou vendido no bitcoin a US$ 1 bilhão e responde as críticas de nomes como Warren Buffett e Jamie Dimon, CEO do J.P. Morgan, às moedas digitais.