O Grupo Genial chegou a R$ 280 bilhões sob custódia com investimento em tecnologia. Agora, o mercado ficou mais exigente e a estratégia é crescer com diversificação de negócios.

“Acredito que não dá mais para ser um negócio de nicho, como só de investimentos. É preciso ter um ecossistema mais completo. Nossa aposta agora é no mercado de crédito”, afirma Rodolfo Riechert, CEO do Grupo Genial, ao Wealth Point, programa do NeoFeed.

A aposta vem sendo construída em camadas. Desde 2024, o grupo colocou de pé um cartão cujo limite é calculado com base no volume investido na casa. A lógica é usar o patrimônio como colateral para oferecer crédito mais barato e instantâneo e evitar que o cliente tenha que desmontar posições para resolver necessidades de liquidez.

Agora o grupo está entrando no consignado começando por servidores públicos e com plano de avançar também para o segmento privado no segundo semestre de 2026.

“Começamos a entrar na parte de crédito porque 90% da população demanda crédito e só 10% investem. As pessoas têm muito menos retração em pegar crédito online do que investir. Então, podemos usar nossa tecnologia para fazer a análise dos clientes”, diz Riechert.

Enquanto isso, outras áreas têm sido reformuladas. Um exemplo é o wealth management, que teve crescimento de 30% em número de clientes em 2025, alcançando mais de 2,6 milhões, graças ao reforço do varejo.

Pós-Master e Operação Carbono Oculto

Se há 10 anos as plataformas de investimentos estavam sendo vistas apenas pelos seus benefícios de arquitetura aberta e democratização, agora o seu crescimento começa a trazer questionamentos sobre regras de distribuição e responsabilidade das plataformas. Debate que ganhou corpo após o episódio da venda de CDBs do Banco Master.

Na visão do CEO da Genial, é importante de fato o mercado parar para refletir o que aconteceu e como evitar um novo episódio, mas a culpa, e assim a solução, não está simplesmente nas plataformas. Riechert ressalta que foram poucos os investidores que de fato perderam dinheiro, pois estavam cobertos pelo FGC.

“Existe uma regra e as corretoras operaram dentro dessa regra. Não cabia às plataformas fazer a análise para dizer que o Banco Master não estava financeiramente saudável: ele tinha demonstrações financeiras auditadas e os ratings não eram ruins. Pelo contrário, antes de ter problema ele recebeu um upgrade de uma grande agência de risco”, afirma Riechert.

Outro evento que está emparedando o mercado financeiro sobre as suas responsabilidades é a Operação Carbono, ação da Polícia Federal (com Receita e outros órgãos) para desmantelar um esquema de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis ligado ao PCC, com ocultação/blindagem patrimonial via fintechs e fundos de investimento.

À época, foram identificados ao menos 40 fundos de investimento que poderiam ter recursos vindos de organização criminosa. O Banco Genial apareceu no caso como administrador de um fundo de R$ 100 milhões dentro de uma estrutura maior. Logo após o início da investigação, a Genial abriu mão da administração do fundo e a empresa acompanha o processo em andamento enquanto revisa internamente a entrada do veículo.

Riechert explica que fez uma investigação interna de como poderia melhorar o compliance, mas no fim a conclusão foi que esse dinheiro já circulava no sistema financeiro, sendo muito difícil verificar o seu rastro desde o início.

“É importante dizer que a Genial não era investigada, e sim o fundo. A gente faz todo o esforço para ver de onde vem o dinheiro, mas, na minha opinião, a instituição financeira não pode ser o xerife ou detetive do mercado, não temos essas ferramentas.”

O principal argumento seria que o dinheiro que entra dos fundos já está dentro do mercado financeiro, vindo muitas vezes via fintechs. Sendo muito difícil ver a fraude que houve antes dessa entrada.

“Cabe o debate do papel das fintechs. Será que todas as IPs têm realmente um propósito financeiro legítimo? Para abrir um banco, você tem uma exigência regulatória enorme. Isso está sendo feito também dentro dos donos das IPs?”, questiona o CEO da Genial.