Se em 2025 os fundos de risco entregaram bons resultados - acima do CDI - mas foram os fundos de renda fixa que captaram dos investidores, este ano deve ser diferente.
O equilíbrio indicado para o investidor é realocar parte do seu patrimônio para o pós-fixado, ou seja, em fundos de ações, multimercados e de crédito.
“Está na hora de começar a migrar um pouco da ‘piscina quentinha’ dos juros reais altos do Brasil no pós-fixado e começar a olhar a oportunidade em outras classes, em especial na renda variável”, afirma Sylvio Castro, head de global solutions e fund of funds do Itaú Unibanco no Wealth Point, programa do NeoFeed.
Além do catalisador de queda de juros (o ciclo de corte está previsto para começar em março), a bolsa de valores está renovando recordes de valorização mesmo sem o interesse do investidor brasileiro.
Isso porque fluxos globais para emergentes seguem capazes de sustentar a bolsa mesmo com o varejo doméstico subalocado, uma tendência que irá continuar. Mas, para capturar esse movimento, o melhor veículo são fundos ativos.
“ETFs com certeza têm muito espaço para crescer, mas os gestores irão capturar melhor essa valorização pelo seu viés pró-cíclico, historicamente dando mais peso às ações domésticas que se beneficiam da queda do custo de capital e pela sensibilidade a setores que capturam compressão de prêmio de risco”, afirma Castro.
Já os fundos multimercados, que passaram por anos de resgates, podem voltar aos portfólios - porém em outra proporção.
Para Castro, a classe não retornará ao “tamanho desproporcional” do passado na carteira do investidor brasileiro, mas manterá um papel-chave como motor tático e diversificador de fatores de risco. Principalmente em estratégias menos direcionais, algo valioso em ano de eventos políticos e geopolíticos que podem gerar ziguezagues de curto prazo.
A renda fixa continua relevante, partindo de uma base de juros ainda alta, mas o ajuste fino começou. O banco recomenda reduzir um pouco o excesso e calibrar entre pré e inflação, com ênfase no book de inflação acoplado a crédito, aproveitando juros reais elevados e eficiência tributária em determinados instrumentos.
Na classe de debêntures incentivadas, a leitura é de spreads mais apertados do que há um ano, mas que seguem interessantes.
Na parcela internacional, Castro separa dois caminhos. Para quem tem conta no exterior, vale montar a “pizza completa” global (juros governamentais, crédito, ações por regiões e estilos, alternativos) sem hedge para o real, porque a referência passa a ser a moeda do próprio portfólio.
Já quem for diversificar dentro do Brasil, a recomendação é aplicar com hedge cambial e se proteger de oscilações e possíveis desvalorizações do dólar, neste caso sendo preferível a exposição em renda variável à renda fixa.