O mercado brasileiro de smartphones no Brasil gira em torno de R$ 50 bilhões ao ano. Ele segue grande, mas deixou de ser um motor automático de crescimento. Atualmente, é essencialmente um mercado de troca.
Com a penetração próxima do limite e o consumidor mais sensível a preço e crédito, vender apenas aparelhos novos já não garante escala nem rentabilidade. Isso significa que o número de unidades vendidas tende a cair, enquanto o preço médio sobe, puxado pela busca por modelos mais sofisticados.
“É um mercado estável em valor, mas maduro. Crescer exige ir além da venda do aparelho”, afirma Silvio Stagni, CEO da Allied, ao Números Falam.
Essa leitura ajuda a explicar a aposta da Allied em serviços e parcerias financeiras. Um dos principais exemplos é o programa iPhone pra Sempre, desenvolvido em conjunto com Apple e Itaú, que permite ao consumidor parcelar o aparelho com a opção de trocá-lo por um novo ao fim do contrato.
A iniciativa não apenas impulsiona vendas como também alimenta um novo negócio: o de aparelhos recondicionados. A partir dos celulares devolvidos nesses programas, a Allied estruturou uma operação certificada de recondicionamento, hoje reunida sob a marca Trocafy.
A tese é que o mercado brasileiro de usados tende a migrar do modelo informal, entre pessoas físicas, para um ambiente profissionalizado, com garantia, rastreabilidade e padrão de qualidade.
“O celular é um objeto de desejo, mas nem todo mundo consegue acessar o produto novo. O recondicionado amplia o acesso e cria uma economia mais circular”, disse ele no programa do NeoFeed.
Os números do terceiro trimestre de 2025 ajudam a entender essa estratégia. A Allied registrou receita líquida de R$ 1,4 bilhão, com crescimento de 0,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, em linha com um mercado que avança pouco em volume.
A margem bruta consolidada ficou em 10,7%, estável em 12 meses, refletindo decisões de mix, renegociação com fornecedores e o peso crescente de serviços e canais digitais.
O fluxo de caixa operacional somou R$ 516,6 milhões no período, puxado tanto por ganhos fiscais pontuais quanto por uma melhora estrutural na gestão do capital de giro.
Com isso, a companhia encerrou o terceiro trimestre com posição de caixa líquida, equivalente a uma dívida líquida negativa de 0,7 vez o Ebitda.
O movimento da Allied também ajuda a sustentar margens em um setor altamente competitivo. Ao combinar distribuição, varejo físico, canais digitais e serviços, a empresa dilui riscos e cria novas fontes de receita.
“Essa multiplicidade de negócios traz resiliência. A empresa cresce, gera caixa e mantém estabilidade mesmo em ciclos mais difíceis”, afirma o executivo.
Na B3, a ação ALLD3 acumula valorização de 13,9% em 12 meses. O valor de mercado da Allied é de R$ 758 milhões.