Durante décadas, plataformas de petróleo foram projetadas para acomodar de dezenas a centenas de profissionais responsáveis por operar equipamentos, realizar inspeções e executar manutenções em alto-mar. Mas a inteligência artificial deve mudar essa realidade em breve, diz João Carlos Chachamovitz, CEO da Radix.
Em entrevista ao Revolução IA, programa do NeoFeed, ele contou que a combinação de IA, automação e monitoramento remoto está abrindo caminho para um novo modelo operacional no setor de óleo e gás: plataformas com cada vez menos trabalhadores embarcados.
Isso permitirá que especialistas que hoje passam semanas em alto-mar possam acompanhar operações críticas a partir de centros de controle em terra ou até mesmo de casa. "Aí a gente fez um projeto onde a gente chegou a ‘como eu faço para ter zero pessoa dentro de uma plataforma?’", diz o CEO.
Menos pessoas embarcadas significam menor infraestrutura e menor exposição de trabalhadores a ambientes considerados de alto risco. Chachamovitz alerta, porém, que a adoção da inteligência artificial em operações críticas exige um grau de confiabilidade muito maior do que aquele encontrado em aplicações voltadas ao consumidor.
Enquanto um usuário pode repetir uma pergunta ao ChatGPT quando recebe uma resposta incorreta, uma refinaria não tem essa opção. "Imagina uma planta numa indústria, numa refinaria, onde se você atingir uma temperatura acima de tal valor, você pode explodir, pegar fogo", afirma o executivo.
Com 16 anos de atuação, a Radix construiu presença global atuando não só em setores de óleo e gás, mas também de mineração, papel e celulose, entre outros. Por conta da complexidade, o CEO explica que a implementação da IA na indústria costuma envolver projetos de longo prazo e processos rigorosos de validação. Em contrapartida, quando há sucesso, há aumento relevante de eficiência operacional, com ganhos financeiros expressivos.
Em uma fábrica de papel, por exemplo, a Radix conseguiu reduzir drasticamente as interrupções da operação. "A fábrica de papel conseguiu reduzir em 60% o número de quebra de papel", diz.
Outro exemplo foi a implementação de inteligência artificial em algumas linhas do metrô de São Paulo e dos Estados Unidos. As soluções monitoram continuamente motores, portas, sistemas de climatização e outros equipamentos críticos para antecipar falhas e evitar interrupções no serviço. "O grande custo não é consertar. O grande custo é quando o ativo fica parado", afirma.