Durante os últimos três anos, as Sete Magníficas ficaram marcadas como símbolo da principal mudança no mercado acionário americano. Apple, Microsoft, Alphabet, Amazon, Meta, Nvidia e Tesla eram as ações que explicavam a transformação da inteligência artificial no crescimento do S&P 500.

O problema é que a concentração de valor nas grandes empresas de tecnologia está deixando de funcionar - pelo menos na visão do Citi.

Em análise distribuída a clientes, os estrategistas do banco americano escreveram que as “Magnificent 7 morreram como uma construção para avaliar a dinâmica de growth entre as empresas de maior capitalização”.

Em uma leitura rápida, pode parecer que o Citi está sugerindo que as Sete Magníficas morreram. Mas a ideia é outra: nem a IA acabou, nem as sete empresas perderam sua relevância, nem os investidores deveriam abandonar as ações dessas companhias.

Para os analistas do Citi, a IA ficou grande demais para continuar sendo representada apenas por essas sete companhias, como mostra a performance da bolsa americana.

Em 2026, o ETF Roundhill Magnificent Seven subia cerca de 1%, enquanto o S&P 500 avançava 9%, até o fim da primeira quinzena de julho. A diferença não significa necessariamente que as gigantes de tecnologia tenham deixado de ser as grandes vencedoras da transformação, mas que o mercado começou a encontrar outros vencedores na corrida da IA.

À medida que o ciclo de investimentos avança, a cadeia se espalha para fabricantes de equipamentos usados na produção de chips, empresas de memória, redes, armazenamento, energia, infraestrutura física e automação.

Em seguida chega às companhias que usam inteligência artificial para aumentar produtividade, reduzir custos e ampliar margens.

A Nvidia pode vender os chips, mas alguém precisa fabricar os equipamentos para produzir esses chips. Há também o fornecedor de memória. Aquele que constrói a rede. O fornecedor de energia elétrica. E, no fim, alguém que transforme todo esse investimento do setor de tecnologia em receita e lucro em outros segmentos da sociedade.

Por isso, o Citi não propõe ampliar as Sete Magníficas para Mag 8, Mag 9 ou Mag 10. O banco trabalha com o chamado “growth cluster”, uma cesta mais ampla de companhias de crescimento distribuídas por seis setores da economia.

Esse grupo representa aproximadamente metade do valor de mercado do S&P 500 e cerca de 48% dos lucros esperados do índice nos próximos 12 meses.

No segundo trimestre deste ano, por exemplo, o “growth cluster” subiu 24,7%, contra uma alta de 14,9% do S&P 500. No acumulado do ano, a cesta avançou 11,8%, ante 10,1% do indicador.

Essa cesta de crescimento criada pelo Citi contém os 25 papéis que mais contribuíram para o desempenho do S&P 500 neste ano. Eles acumulavam alta de aproximadamente 7% ante cerca de 2% das 7 Magníficas.

“Mesmo uma Mag 10 deixaria de fora empresas que contribuem significativamente para o resultado”, escreveram os estrategistas, citando empresas como Intel, Applied Materials e Lam Research.

Essa cesta de 25 empresas apresenta uma relação entre preço, crescimento e lucro mais atraente do que a Mag 7. O Citi afirma que o múltiplo PEG — preço pago por uma ação em relação ao seu crescimento esperado — está em uma mínima de 15 anos para o grupo.

O Citi estima que, aproximadamente, 55% do S&P 500 esteja diretamente exposto a ventos favoráveis ou contrários relacionados à inteligência artificial.

Quase metade do retorno do índice, segundo a análise, pode ser atribuída ao grupo de empresas identificado pelo banco como "growth cluster".

Se a primeira fase dessa grande mudança tecnológica criou as Sete Magníficas, a segunda ficou grande demais para se restringir apenas a elas. E está mostrando que as vencedoras são as que conseguem aproveitar a produtividade, a rentabilidade e o crescimento trazidos pela IA.