A adoção de inteligência artificial nas empresas precisa ser conduzida diretamente pelo CEO e não delegada apenas ao time de tecnologia. Esta é a visão de Rafael de Albuquerque, fundador e CEO da Zoox.
Para o executivo, a implementação da IA exige uma mudança de cultura, na qual o CEO precisa estar envolvido de forma recorrente nos projetos, acompanhando a evolução das iniciativas e ajudando a disseminar a mudança entre os times.
“A IA não é um assunto de tecnologia, é um assunto da liderança. O CEO precisa participar culturalmente, transmitindo isso para todos os times”, disse Albuquerque em entrevista ao NeoFeed, durante o NeoSummit IA na Real.
O executivo usou a própria trajetória à frente da Zoox como exemplo. A empresa, que inicialmente atuava com implantação de Wi-Fi em hotéis, mudou o modelo de negócios em 2016 para usar a tecnologia de acesso sem fio na captura de dados.
Mais tarde, ao perceber que os clientes não sabiam o que fazer com as informações coletadas, a Zoox mudou novamente de escopo e passou a atuar na aceleração do uso de dados pelas empresas.
Segundo Albuquerque, a mudança cultural deve vir antes da adoção de novas ferramentas. Para ele, não basta contratar uma tecnologia de IA se os funcionários não estiverem envolvidos no processo.
O executivo também criticou a ideia de deixar todas as iniciativas de IA concentradas em executivos de tecnologia ou inovação. “O CEO que coloca a estratégia de IA apenas nas mãos do CTO ou do time de tecnologia vai deixar sua empresa fadada ao fracasso", afirmou.
O executivo também citou um artigo recente de Bill Gates, fundador da Microsoft, sobre os impactos da inteligência artificial no mercado de trabalho. Gates prevê que, em cinco anos, algumas empresas poderão precisar estabelecer “cotas para humanos” em determinados cargos, diante da velocidade do avanço da automação.
Nesse ambiente, Albuquerque acredita que os profissionais mais flexíveis e dispostos a reaprender processos serão os mais valorizados. “Escrever e fazer linha de código serão funções em que a IA vai ajudar", disse. “Vão prevalecer [nas companhias] as pessoas que tiverem curiosidade e quiserem participar dessa transformação."