A Apex Partners está levando sua tese de atuação nos mercados regionais para uma nova frente de negócios. A casa, que construiu sua expansão mirando empresários e famílias fora do eixo tradicional da Faria Lima, acaba de lançar um multi family office com o qual pretende aprofundar sua presença no wealth management entre as grandes fortunas.

A Apex se apresenta como uma plataforma de investimentos e serviços financeiros estruturados com atuação em quatro frentes: gestão de recursos, investment banking, advisory e research. O grupo mantém polos no Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Rio Grande do Sul e em Portugal.

A frente de wealth, distribuída entre assessoria, consultoria de valores mobiliários e gestão patrimonial, e a gestora de recursos já tem mais de R$ 17,5 bilhões sob aconselhamento. Agora, ganha o multi family office, que vai atender a famílias com ao menos R$ 50 milhões de patrimônio líquido.

A nova frente já começa com uma base inicial de R$ 4,2 bilhões e cerca de 35 grupos familiares, segundo a empresa. Esse grupo foi formado a partir de clientes que a Apex já atendia em suas estruturas de advisory e gestão patrimonial e que agora passam a receber uma camada adicional de serviços.

A tese da companhia está ancorada em um recorte bastante específico do mercado. Em vez de disputar apenas o cliente tradicional do wealth management, mais concentrado em ativos líquidos, a Apex mira famílias empresárias do interior do País, com riqueza espalhada por imóveis, participações societárias, ativos produtivos e negócios com forte vínculo regional.

“A nossa tese é ser um Banco Mercantil Regional. E o wealth management é um braço importante para complementar o serviço a essas famílias e trazer um cross sell de negócios para nós”, afirmou Pedro De Cesaro, diretor-geral de advisory da companhia, em entrevista ao NeoFeed.

Na prática, a Apex tenta explorar uma lacuna deixada pelos grandes bancos e plataformas, que concentram esforços onde há maior densidade de negócios e maiores volumes sob gestão. O discurso da casa é o de que existe um “outro Brasil” — menos visível para o mercado financeiro tradicional, mas rico em ativos e em famílias controladoras.

Esse é um ponto sensível porque boa parte das fortunas que a Apex quer atender está justamente em famílias cujo patrimônio não cabe em uma carteira líquida tradicional. São grupos em que a riqueza está distribuída entre empresa, imóveis, terras, participações e estruturas societárias, o que amplia a demanda por planejamento tributário, sucessório e patrimonial.

Além disso, o MFO se propõe a cuidar de toda a vida financeira dos clientes, com serviços de concierge, gestão de contas, jurídico consultivo e acompanhamento da declaração do Imposto de Renda.

“O foco é atender esses clientes regionais, os clientes que a Faria Lima não quer, pois só quer atender a parte líquida dos investimentos”, explica Cesaro.

Embora o head do family office esteja baseado em São Paulo, a Apex quer usar a malha que já construiu em outros polos para originação, relacionamento e atendimento. A companhia afirma ter presença organizada em diferentes regiões do País em seus outros braços de negócios, além de Portugal, e quer usar essa estrutura como ponte para acessar fortunas fora dos grandes centros financeiros.

Segundo a Apex, o perfil dessas famílias, mais expostas a ativos alternativos e a negócios operacionais, como imóveis, fazendas e empresas, exige uma abordagem patrimonial mais conectada à realidade dos ecossistemas locais.

A empresa cria essa área em um novo cenário regulatório em que essa conexão entre patrimônio ilíquido e líquido ficou mais conectada após a taxa mínima de 10% e lucros sobre os dividendos.

“Já somos muito próximos das empresas dessas famílias, e agora seremos também do seu patrimônio pessoal, gerindo tudo ao mesmo tempo e assim trazendo mais sinergia para elas e para nós como negócio”, explica de Cesaro.