A SRM está lançando sua área de debt capital market (DCM), diversificando sua atuação para além de fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) multicedente e multisacado, segmento de sua especialidade e com o qual sua gestora atingiu cerca de R$ 2 bilhões em ativos sob gestão.
A expectativa é realizar, já no primeiro ano de atuação, em torno de R$ 500 milhões em operações, aproveitando o bom momento do crédito privado, com as emissões batendo recordes nos últimos anos.
“Começamos a ver que muitos dos clientes com quem operamos com recebíveis estavam entrando no mercado de capitais com outra gestora, outra casa”, diz Eduardo Siqueira, diretor da SRM Asset, ao NeoFeed. “Com alguns desses clientes estamos há dez anos; era para nós estarmos fazendo isso.”
A vertical de DCM da SRM vai atuar com instrumentos como debêntures, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), com operações de R$ 50 milhões a R$ 200 milhões.
O foco é atender empresas do chamado middle market, cujo faturamento varia entre R$ 200 milhões e R$ 700 milhões por ano, mesmo público que a SRM atende com seus FIDCs, ainda que esteja aberta a atender empresas que faturam pouco menos ou mais. A ideia é também atender a área de venture capital, a SRM Ventures, que conta com 16 fintechs no portfólio.
Siqueira diz que a decisão de entrar em DCM também visa defender a área de recebíveis, diante da avaliação de que a atuação no mercado de capitais diminui o quanto a SRM pode ganhar com sua operação tradicional. “Se uma parte dos recebíveis vai para uma operação do mercado de capitais, meu volume pode diminuir”, afirma.
A SRM começou a estruturar a área de DCM no primeiro semestre de 2025, de forma orgânica, com algumas contratações. A vertical ganhou musculatura com a chegada da Empírica, que pertencia à Reag e foi adquirida pela SRM no ano passado. Leonardo Calixto, um dos sócios fundadores da Empírica, está à frente da área de mercado de capitais no cargo de CEO da SRM Empírica.
“Vimos a possibilidade de acelerar o processo comprando uma gestora que conhece bem o mercado de capitais”, diz Siqueira. “Tínhamos a estratégia [de entrar no mercado de capitais] e vimos a oportunidade com a Empírica.”
A estreia da SRM em DCM ocorre em um momento em que o mercado de dívida está em alta. Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) apontam que a renda fixa novamente concentrou a maior parte das captações e manteve sua predominância em 2025, com R$ 737,7 bilhões, alta de 3,4%.
Em meio a juros em patamares historicamente elevados, fazendo com que os investidores olhem mais para a renda fixa, companhias menores estão cada vez mais acessando o mercado de capitais. Bancos, gestoras e assessorias de investimentos estão de olho nesse filão.
Recentemente, o Banco Pine anunciou sua operação de mercado de capitais, olhando para médias e grandes empresas. No ano passado, o BS2 anunciou sua própria vertical, também mirando o middle market, que acaba sendo deixado de lado pelos grandes bancos por conta dos baixos valores emitidos.
Para se destacar, Siqueira diz que a SRM vai aproveitar o alcance de suas operações para avançar sua área de DCM. A gestora conta com 18 filiais espalhadas pelo país, nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul, e 300 funcionários, que originam as operações. A gestora também possui infraestrutura para análise de crédito, além de equipe comercial.
“Nós temos uma estrutura muito mais parecida com a de um banco do que com a de uma gestora tradicional”, diz. “As filiais têm gerentes comerciais, que estão junto ao dia a dia das empresas para originar os recebíveis que operamos.”