A Gorila, fintech especializada em tecnologia para consolidação de investimentos B2B, decidiu descontinuar a sua estratégia de aceleradora de consultorias, que teve início em 2021, e não fará mais novos investimentos. A empresa avalia que o "empurrão" não é mais necessário, já que esse mercado está vivendo um boom e está na hora de crescer nele.
Nos últimos três anos, o número de consultorias registradas na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) pulou de 203 para 407, segundo levamento da Gorila. Já o número de consultores (pessoas físicas registradas para fazer esse atendimento) passou de 913 para 1.828. E o ritmo de expansão continua acelerado.
“Acreditamos que esse mercado, que tem crescido 25% ao ano, ainda vai acelerar mais, com esse modelo de multi custódia e fee based ganhando tração”, afirma Guilherme Assis, CEO da Gorila, em entrevista ao NeoFeed.
A plataforma para controle de investimentos, que já tem que já tem mais de R$ 250 bilhões de patrimônio processado e consolidado, consolida diariamente cerca de 2 milhões de portfólios, atendendo a 115 empresas. O plano é triplicar esse atendimento ainda neste ano.
Para alcançar esse número, a Gorila concentrará os esforços no desenvolvimento da plataforma para melhorar a experiência para os consultores, que têm em mãos um dashboard com métricas e relatórios de diferentes transações e ativos.
Atualmente são dois nichos que consomem os produtos da fintech. O primeiro são as chamadas “puro sangue", um modelo que só atua como consultoria e tem ganhado tração nos últimos anos com a proposta de democratizar o atendimento de gestão de fortunas consolidando investimentos em plataformas. Assis estima que esse mercado tenha, atualmente, entre R$ 50 bilhões e R$ 100 bilhões.
Um segundo nicho são os multi family offices, que tradicionalmente atuam mais como gestores de patrimônio, mas também tem consultorias, e teriam entre R$ 500 bilhões a R$ 700 bilhões. Mas com o fim do diferimento fiscal nos fundos exclusivos, eles passam a necessitar ainda mais de outras formas de gestão e consolidação para os investimentos.
Para o CEO da Gorila, o mercado de consultoria é hoje o que foi o mercado de assessoria de investimentos em 2016, em que havia alguns escritórios e poucos com mais de R$ 1 bilhão - hoje algumas assessorias têm mais de R$ 20 bilhões.
“O número de assessores parou de crescer, e hoje está em cerca de 25 mil. Estamos vendo um shift no mercado de assessoria para consultoria. Como plano de fundo temos a CVM 179, mas também um amadurecimento do investidor”, diz Assis.
Segundo um estudo da consultoria AAWZ, o mercado B2B já representa cerca de 25% do mercado de R$ 7 trilhões de investimentos de pessoas física.
Concentração dos negócios
Na semana passada, a Gorila vendeu para a Turim a sua participação na Vita Investimentos, uma consultoria que começou a ser acelerada pela fintech em 2021.

Novos investimentos não serão feitos e a empresa buscará ao longo do tempo compradores estratégicos para as outras investidas. Além da Vita, outros quatro negócios foram acelerados pela Gorila.
“Esses investimentos foram uma forma de ajudar a desenvolver esse mercado para que passassem para a fase de precisar a usar essa tecnologia”, afirma Assis.
“Agora que esse mercado está andando sozinho, não é mais necessário. E podemos nos concentrar em desenvolver ainda mais a plataforma”, complementa.
Hoje, qualquer plataforma de investimento, seja mesmo de criptoativos ou offshore, pode ser consolidada pela Gorila, mas ainda não de forma 100% automática, o que poderá acontecer com o open finance. Hoje, a integração depende da tecnologia da plataforma.
No exterior, onde esse mercado é desenvolvido, há poucos players. A americana Adeppar, criada em 2003, é uma das líderes desse mercado. Em 2024, o Itaú fez uma parceria com ela para consolidar o patrimônio dos seus clientes onshore e offshore, tendo exclusividade por alguns anos.
A Gorila está em busca de ser essa empresa aqui no Brasil. Em 2019 e 2021, a fintech chamou a atenção de fundos de venture capital e captou um total de US$ 28 milhões com Ribbit, Monashees, Canary, Iporanga e Apis Partners.