A Suno decidiu colocar fim à sua operação de assessoria de investimentos e concentrar as frentes de atendimento ao investidor na Suno Consultoria, que passa a ser a única unidade de negócios de wealth.
O movimento unifica três negócios que, apesar de regulatoriamente distintos, passaram a ser percebidos pelo cliente como variações de um mesmo serviço: consultoria, wealth (carteiras administradas) e a sua assessoria de investimentos.
Pelo desenho da transição, a empresa deixa de operar o CNPJ de assessoria de investimentos — que funcionava sob o nome Status Invest e era vinculada à XP, criada em 2023 — e passa a atender os clientes no modelo de consultoria, em formato multiplataforma não discricionário, ou pelo wealth, no modelo discricionário. A XP é sócia do Grupo Suno desde 2022.
Independentemente do formato, todos os modelos terão uma remuneração baseada na cobrança de um percentual fixo sobre o total aconselhado. “Grande parte dos nossos clientes da assessoria usavam o modelo fee-based e demandavam mais serviços. Então para eles a mudança será mais a ampliação do atendimento. E vemos que os do comissionado também têm interesse nisso”, diz Gian Kojikovski, CEO do grupo Suno, ao NeoFeed.
O grande motivador por trás da mudança foi o entendimento de que a empresa não queria mais ser apenas uma consultoria de investimentos, mas agregar de forma robusta o wealth planning, hoje tão ou mais importante para os clientes. E o modelo mais correto para fazer isso é a consultoria.
“Não tem como avaliar o cliente como um todo sem ver todo o seu patrimônio, que não está nunca em uma plataforma só, mas em várias. E a forma de cobrar a mais por esse serviço de forma transparente é pelo fee-based”, diz Victor Montezuma, diretor-geral da Suno Consultoria, e quem vai liderar a nova operação.
Pelo modelo de consultoria, a Suno passa a agregar todo o portfólio do cliente, usando as plataformas de wealth services do mercado, como XP, BTG e dos bancos, como mostrou recentemente o NeoFeed. E passa também a investir mais nos serviços fora de investimentos, como planejamento sucessório e tributário, com novos profissionais sendo contratados.
Delegar ou não a gestão
O serviço de wealth management da Suno, que surgiu como casa de análise voltada para o varejo, surgiu com a constatação de que alguns clientes gostavam das indicações da casa, mas não queriam eles mesmos fazerem a gestão dos seus investimentos. Queriam delegar isso a um profissional deles, já que confiavam na casa.
E esse tipo de atendimento faz muito mais sentido no modelo de consultoria, seja discricionária ou não. Mas isso não significa que a assessoria ou mesmo o modelo comissionado devem deixar de existir.
“Entendemos que a assessoria e o comissionamento fazem sentido para muitos clientes. Deve haver uma migração para o fee fixo, que hoje é pequeno, mas não é para todos. Mas entendemos que para os nossos clientes é sim”, diz Montezuma. “Para quem quer fazer por si só a gestão, já temos um produto que são os relatórios de análise”.

A Suno Consultoria já nasce com mais de 100 profissionais, entre consultores, analistas e equipe de suporte. A base de clientes chegou a 3,5 mil, e o perfil é diverso, contando com investidores em fase de acumulação, com patrimônio a partir de R$ 1 milhão, até famílias com mais de R$ 20 milhões que demandam estruturas sofisticadas de planejamento.
Faz parte também do ecossistema do grupo as casas de análise Suno Research e Eleven Financial Research, responsáveis pelas análises de investimentos, o portal de informações financeiras Suno Notícias, e a gestora de investimentos Suno Asset.
A ideia é que no novo modelo de wealth se consiga ir mais para as pontas da pirâmide. “Com mais valor agregado, entendemos que podemos atrair tíquetes maiores, do ultra high net worth. Ao mesmo tempo em que temos um modelo de pagamento que também cabe em tíquetes menores, com menos de R$ 1 milhão”, afirma Kojikovski.
A unificação da estratégia é vista como estratégica para sustentar a próxima fase de crescimento da Consultoria, que registrou alta de 50% em ativos sob aconselhamento no último ano e chegou a R$ 6 bilhões, impulsionada pela demanda crescente por planejamento financeiro, alocação eficiente e aconselhamento independente de longo prazo. A meta é conseguir chegar a R$ 10 bilhões até o fim de 2026.
“Por mais que, do ponto de vista regulatório, as áreas sejam coisas completamente distintas, do ponto de vista do cliente, era a mesma coisa. E agora nós concentramos nossos esforços em uma única estratégia e comunicação”, afirma Montezuma.
E para eles, isso está sendo possível porque o mercado evoluiu para querer mais que uma assessoria de investimentos e entender que esse serviço tem um valor, aceitando pagar por ele.
“Quando começamos a consultoria anos atrás, se discutia muito se o brasileiro ia topar pagar por esse serviço de wealth management, e de fato era difícil. Mas agora, muitos clientes entendem e querem um serviço mais completo. É esse perfil que buscamos”, diz o CEO da Suno.