Após capturar quase 50% dos US$ 202,3 bilhões aplicados globalmente no mundo do venture capital em 2025, a inteligência artificial (IA) segue firme para avançar em novas fatias desse bolo bilionário. E quem está com apetite para engordar esses números é uma das gestoras mais icônicas dessa indústria.

Famosa por investir em nomes como Apple e Google, quando essas empresas ainda estavam na garagem, a Sequoia Capital acaba de captar um novo fundo de cerca de US$ 7 bilhões, segundo a agência Bloomberg, que cita pessoas próximas à companhia americana de capital de risco.

De acordo com essas fontes, os recursos levantados no novo veículo serão destinados às principais apostas da gestora, o que vai se refletir, particularmente, nos investimentos em IA e em empresas em estágio mais avançado, especialmente nos Estados Unidos e na Europa.

Mais recentemente, após passos mais modestos, a Sequoia Capital tem se destacado por sua estratégia agressiva nessa esfera. E o novo fundo só reforça essa tese, dado que o volume captado é praticamente o dobro do último veículo comparável levantado pela gestora, em 2022, de US$ 3,4 bilhões.

Nos números que traduzem essa disposição, o portfólio da Sequoia contabiliza mais de 100 empresas de inteligência artificial, de todos os portes, além de 32 companhias operando ainda em modo stealth, ou seja, nos “bastidores”.

A relação inclui desde nomes que estão na dianteira dessa onda, como OpenAI, Anthropic e Nvidia, até startups que estão ganhando destaque no setor, como a Safe Superintelligence, liderada por Ilya Sutskever, cofundador da OpenAI, e nomes mais recentes, como a Physical Intelligence, de robótica.

Ao mesmo tempo, o montante mais polpudo de recursos também dialoga com o potencial dessas empresas, a partir da IA, crescerem mais rapidamente e com menor custo. O que, por consequência desses estágios cada vez mais avançados, vai exigir cheques mais substanciais.

Em paralelo, o fundo também simboliza, de certa maneira, a “estreia” da nova administração da Sequoia Capital. Em novembro de 2025, Alfred Lin e Pat Grady foram nomeados como cogestores da companhia, no lugar de Roelof Botha, que liderava a operação desde meados de 2022.

A dança das cadeiras veio após um período mais conturbado sob a gestão de Botha, marcado por questões como a queda nos valuations de empresas de tecnologia, uma baixa contábil de US$ 200 milhões e a separação das operações da Sequoia na China e na Índia em empresas independentes.

Nesse contexto, o entendimento foi de que a nova dupla de gestores traria uma renovação nos quadros e teria mais aderência às demandas atuais, ditadas, principalmente, pela IA. Na Sequoia desde 2010, Lin liderou investimentos em companhias como Airbnb e DoorDash.

Grady, por sua vez, está na gestora há 20 anos, onde liderava os investimentos em empresas em fase de growth desde 2015, e participou de investimentos em companhias como a ServiceNow e a OpenAI.

Se a primeira captação da nova gestão já sinaliza esse maior apetite, na outra ponta, dos retornos do portfólio, a dupla formada por Lin e Grady também tem boas perspectivas, já que nomes como a OpenAI e a Anthropic despontam como algumas das principais empresas com planos para um IPO em 2026.

A Anthropic, por exemplo, dá uma boa medida do que está em jogo. Avaliada em US$ 380 bilhões em sua última rodada de investimentos, em fevereiro desse ano, a empresa, segundo relatórios, pode buscar um valuation entre US$ 600 bilhões e US$ 800 bilhões em sua abertura de capital.