O PicPay divulgou seu resultado do primeiro trimestre de 2026 nesta terça-feira, 2 de junho. E, no balanço, o segundo desde que abriu capital na Nasdaq, o banco digital superou suas próprias expectativas, ao bater as projeções que havia traçado para o período.
Uma das entregas acima das expectativas veio no lucro líquido ajustado de R$ 169 milhões. A cifra representou uma alta de 92% sobre igual período, um ano antes, e foi 9,3% superior à estimativa inicial de R$ 155 milhões.
Em outra linha, o PicPay reportou uma receita líquida de R$ 3,5 bilhões, um crescimento de 70%, em base anual, e um montante 11,5% acima da projeção de R$ 3,15 bilhões feita para o período há pouco mais de dois meses, quando a companhia divulgou seu balanço consolidado de 2025.
“Esse balanço é a perpetuação de um modelo com um custo de servir muito baixo e uma capacidade de alavancar muito alta, em função do cross selling dos produtos”, diz Eduardo Chedid, CEO do PicPay, ao NeoFeed. “E com uma mix de receita bastante diversificado.”
Traduzindo em números, o custo de servir ficou em R$ 20,30, uma expansão de 9%, ano contra ano, e uma queda de 1% na comparação com o quarto trimestre de 2025. Nessa última base de comparação, a receita líquida cresceu 17%.
Juntamente com esses indicadores, o PicPay alcançou uma base de usuários de 68,6 milhões, alta de 11%, dos quais, 44,3 milhões têm contas ativas, o que representou um crescimento de 10% sobre o primeiro trimestre de 2026 e uma adição de 1,5 milhão de clientes sobre o último trimestre de 2025.
Em outro dado bastante relevante do trimestre, que mostra a evolução na ambição do banco digital em ampliar o share of wallet dessa base de clientes, a receita média por usuário ativo avançou 55%, para R$ 80,70.
No que diz respeito ao mix, frentes como float, fees, comissões e serviços responderam por 46% da receita. Já na área de crédito, responsável pela fatia restante, os produtos colateralizados tiveram uma fatia de 23% e as linhas de crédito clean 31%.
“É um modelo também mais resiliente, já que 69% da receita veio de produtos com baixíssimo ou nenhum risco”, diz Chedid. “E, no crédito, 91% da originação veio de produtos com colateral ou de cartões de crédito com os quais temos relacionamento há mais de 12 meses, ou seja, com risco inferior.”
Nessa área, o PicPay também superou suas estimativas, ao reportar uma carteira de crédito de R$ 28 bilhões, um crescimento de 116% sobre o primeiro trimestre do ano passado. O montante superou em 5,8% o guidance de R$ 26,5 bilhões para o período.
“Nós tivemos um desempenho melhor em diversas linhas”, afirma Chedid. “Mas uma surpresa positiva foi o consignado privado, que superou as nossas melhores expectativas”.
O PicPay registrou um volume de R$ 700 milhões mensais em novas operações de crédito consignado privado e encerrou o trimestre um montante contratado de cerca de R$ 2 bilhões e um market share de aproximadamente 5% no segmento.
“Estamos expandindo o consignado privado e esse produto é, definitivamente, uma das nossas grandes apostas”, afirma Chedid. “Comparativamente, temos crescido menos em empréstimo pessoal, mas muito em função do consignado privado ter roubado um pouco do espaço desse produto.”
Ao mesmo tempo, Chedid ressalta que o principal motor de crescimento para o PicPay será investir cada vez mais no cross selling do leque de produtos do seu portfólio, em particular, os de crédito. “Quanto mais produtos de crédito os clientes adotam, mais aumenta nossa principalidade”, afirma o CEO.
Nessa direção, ele também destaca que a perspectiva é de que a participação dos produtos colateralizados – hoje, na casa de 54% - aumente. Chedid frisa, porém, que a linha de crédito clean também segue crescendo – no trimestre, o avanço foi de 44%.
Na contramão dessa toada de crescimento, o retorno sobre o patrimônio (ROE) do trimestre foi de 15,5%, contra 24,4% no fim de 2025. Chedid traz, porém, uma explicação para esse recuo: o IPO da companhia, realizado em janeiro deste ano.
“Obviamente, tivemos um incremento de capital enorme no período, o que ampliou a base de equity e traz, automaticamente, essa queda. Mas ela é matemática e não uma deterioração do negócio”, diz. “A tendência é que o ROE retorne acima de 20% em dois, três trimestres.”
O balanço veio acompanhado ainda do guidance para o segundo trimestre. Para o período, o PicPay projeta, entre outros indicadores, uma carteira de crédito de R$ 31 bilhões e um lucro líquido ajustado de R$ 245 milhões.
As ações do PicPay encerraram o dia na Nasdaq com ligeira alta de 0,90%, cotadas a US$ 11,17. Desde o IPO, os papéis registram queda de 41,2%. A companhia está avaliada em US$ 1,44 bilhão.