O primeiro boom de inteligência artificial impulsionou a demanda por placas de vídeo e tornou a Nvidia um fenômeno, após suas ações dispararem mais de 1.000%, elevando seu valor de mercado para próximo de US$ 5 trilhões — quase US$ 1 trilhão acima do market cap da Alphabet, a segunda empresa mais valiosa do mundo.
Agora, as atenções se voltam para o mercado de memória física, que, assim como o de placas de vídeo, tem sido altamente requisitado na construção de data centers voltados ao processamento de inteligência artificial. Nessa corrida, o maior símbolo tem sido a SanDisk.
Uma das maiores fabricantes de SSD do mundo, a SanDisk está entre as maiores altas do mercado americano, com suas ações subindo 2.736% nos últimos doze meses. Somente neste ano, os papéis subiram cerca de 280%.
A performance fez seu valor de mercado subir para US$ 133 bilhões e foi coroada, na segunda-feira, 21, com a entrada das ações da SanDisk no Nasdaq-100 — um dos principais índices de ações dos Estados Unidos.
Tamanho otimismo do mercado é explicado tanto pelo recente aumento de demanda quanto pela expectativa de margens cada vez maiores, dada a escassez de SSD no mercado. Analistas da Evercore, por exemplo, estimam que a oferta para atender os novos data centers será insuficiente, pelo menos, até 2028.
Mais rápidos, os SSD já vinham substituindo os discos rígidos nos data centers tradicionais. Nas estruturas voltadas para IA, porém, eles se tornaram essenciais, uma vez que os modelos exigem acesso a grandes volumes de dados, tanto no treinamento quanto na execução.
Esse boom de IA tem se traduzido não só nas ações da SanDisk, como também nos números do balanço. No quarto trimestre, a companhia registrou US$ 3 bilhões de receita — um aumento anual de 61% e de 31% na comparação trimestral.
Para o próximo trimestre, a SanDisk segue otimista, com guidance de US$ 4,8 bilhões de receita, 59% superior à registrada em seu último balanço.
Mas, além do faturamento bruto, são as margens da companhia que mais têm brilhado aos olhos dos analistas. Com o aumento da demanda encarecendo os SSDs, a margem bruta da SanDisk subiu de 32,5% para 51,1%, catapultando o lucro líquido em 386%, no último trimestre, para US$ 1,13 bilhão. Essa margem, de acordo com o guidance mais recente, pode chegar a 67% no balanço do primeiro trimestre.
O próximo resultado está previsto para 30 de abril. Até lá, investidores devem seguir se perguntando se as ações da SanDisk não subiram rápido demais. Pela mediana de analistas colhida pela Nasdaq, o valor justo seria de US$ 750 por ação, 17% abaixo da cotação atual, próxima de US$ 900.
Por outro lado, a SanDisk tem superado as expectativas do mercado, tanto em preço de ação quanto nos resultados trimestrais. No último balanço, por exemplo, o lucro por ação ficou 71% acima do projetado pela mediana do consenso de mercado.