“Compre ao som dos canhões e venda ao som dos violinos.” A frase, repetida há décadas nos mercados financeiros, voltou a ganhar força em um momento de tensão geopolítica crescente, inflação resistente e dúvidas sobre os rumos da economia global.

Para alguns investidores, períodos de crise representam um sinal para reduzir riscos. Para outros, podem abrir oportunidades em empresas que continuam gerando caixa independentemente do cenário. É justamente essa a leitura de Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, em entrevista ao Janela de Mercado.

Na avaliação do especialista, a volatilidade provocada por conflitos internacionais, pelas disputas comerciais lideradas pelos Estados Unidos e pelas incertezas sobre juros não altera uma característica fundamental do mercado: algumas empresas tendem a atravessar tempestades melhor do que outras.

O desafio, segundo ele, está em separar o ruído do curto prazo dos fundamentos que sustentam o valor de uma companhia ao longo dos anos.

Diferentemente dos Estados Unidos, onde o setor de tecnologia tem peso dominante nos índices, Lima diz que a bolsa brasileira concentra mais empresas ligadas à economia real, com forte exposição ao sistema financeiro, infraestrutura e recursos naturais. Essa composição faz com que determinados negócios consigam absorver choques externos de forma mais eficiente do que outros.

Ao mesmo tempo, a perspectiva de juros elevados por mais tempo tende a criar vencedores e perdedores dentro do mercado acionário. Enquanto algumas companhias conseguem transformar esse ambiente em vantagem competitiva, outras enfrentam maior dificuldade para crescer, financiar operações e estimular a demanda dos consumidores.

Assista ao vídeo completo para conhecer os setores que Sidney Lima considera mais preparados para enfrentar o atual cenário econômico.